“Para pequenos países como Portugal e Espanha, pagar a dívida é uma ideia de criança.

As dívidas dos Estados são, por definição, eternas. As dívidas gerem-se. São eternas porque, ao contrário das pessoas, os Estados não morrem.”Um primeiro ministro de Portugal, de má memória, deixou, para além de uma dívida astronómica e uma bancarrota, esta mirabolante lição de economia. Endividem-se que as dívidas não se pagam.Uma lição de economia do mais acabado caloteiro que Portugal conheceu no último século de existência.Mas há mais.Num tempo de declínio desse mesmo primeiro ministro, um vice-presidente da bancada parlamentar do PS, de nome Pedro Nuno Santos, sugeriu também que o pagamento da dívida nacional fosse suspenso: uma “bomba atómica” que Portugal podia usar contra a Alemanha e a França.E não o fez por menos, quando durante um jantar de Natal, em Castelo de Paiva, com militantes socialistas, anunciou que “Estou a marimbar-me para o banco alemão que emprestou dinheiro a Portugal nas condições em que emprestou”.Já percebemos que estes dois proeminentes dirigentes socialistas tiraram o curso de economia na mesma escola, ali para as bandas do Largo do Rato. Ora, este último dirigente socialista, defensor de um Estado DDT (Dono Disto Tudo), esteve na linha da frente da reversão de algumas privatizações, uma das quais a da famosa TAP. Como todos sabemos, a TAP é uma companhia cronicamente falida que apenas serve como sorvedouro de dinheiros dos impostos dos portugueses e, quando a responsabilidade do seu financiamento tinha sido indexada aos privados, eis que os percursores da linha económica do “não pagamos” decidem que têm que ser os contribuintes portugueses a suportar os custos de uma empresa sem viabilidade. Tudo isto porque gostam de não pagar dívidas, apenas gostam de as fazer para outros as pagarem. É a isto que, pelos vistos, chamam “gerir a dívida”. Eles são apenas gestores de dívida. É que se não houver dívida, nada mais sabem fazer.Este último senhor é agora ministro e tem em mãos a reestruturação da TAP, onde já injetou cerca de mil e quinhentos milhões de euros do nosso trabalho de todos os dias. Este gestor de dívidas não tem limites e apenas temos a garantia de que a dívida que ele tem para connosco, contribuintes, nunca vai ser paga. Nos consulados destes catedráticos da economia do calote faliram bancos como o BPN, o BPP, o BANIF, o BES, injetaram-se somas astronómicas na CGD e estamos agora a governar o Novo Banco.Só.Os portugueses já fizeram bem as contas à vida ou decidiram entregar a própria vida aos promotores de falências da linha caloteira do “não pagamos”?É que se entregaram a própria vida a este tipo de gestores, acautelem-se porque vêm aí mais contas para pagar.No dia em que a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, anunciou a aprovação da famosa “bazuca europeia”, a primeira pergunta que o primeiro ministro português fez foi: “Já posso ir ao banco?”Ou seja, aquilo que o senhor queria saber, era se podia fazer mais dívida, que é a matéria que ele melhor domina.Pergunto eu:- A que banco quer ir? Ao BPN, ao BPP, ao BANIF, ao BES, ao Novo Banco ou quer levar à falência algum dos que ainda sobrevivem?Ora o senhor primeiro ministro devia estar mais emprenhado em dar lições de gestão de recursos próprios ao país, em vez de incentivar o endividamento, como se alguém acreditasse que as dívidas não são para pagarAntigamente, a primeira lição de economia era dada na família e de uma forma muito simples. Só havia um marrano e tinha que dar para todo o ano. Desta “escola”, a da família, saíram grandes gestores de não dívidas e outros que pagam os empréstimos que assumem.Em vez de estar a endividar o Estado, para todos nós pagarmos a dívida que ele gere, o senhor primeiro ministro devia orientar a famosa “bazuca” para o setor produtivo de bens transacionáveis, para as empresas, para ver se conseguíamos reduzir a dívida existente. Assim o estão a fazer países como a Grécia, a Espanha, a França e outros por essa Europa fora.Nunca confiei nos professores de economia da universidade do Largo do Rato. Também não admira, nunca por ali houve qualquer universidade, muito menos professores dessa matéria. É mais uma escola de gestores de calotes. “Já posso ir ao banco?”