José Luciano de Castro e a sua influência políticaDesde cedo, José Luciano de Castro teve problemas de saúde que se agravaram na última década e meia da sua vida.

A sua figura física era algo frágil. Ainda novo, aos 24 anos, ficou “cego do olho direito”.Em 1897, voltou a assumir a presidência do Conselho de Ministros, tendo por esta altura 62 anos de idade. Neste mandato, em 1899, surgiu uma doença epidemiológica no Porto, que o “Professor Doutor Ricardo Jorge suspeitou de peste em face da sintomatologia”. Tais previsões viriam a ser confirmadas, e José Luciano de Castro optou por fazer um cerco sanitário à cidade do Porto, paralisando áreas como a indústria e o comércio. Como resposta, “a população, revoltada, elegeu três deputados republicanos” nas eleições seguintes.Em 1900, José Luciano de Castro apresentou uma proposta de revisão constitucional à qual João Franco se opôs, que ficou conhecido como «questão prévia». Apesar disso, a proposta foi avançada para a Câmara dos Deputados, mas na véspera do dia em que tais medidas iam ser analisadas e votadas, José Luciano “recebeu uma longa carta do rei, que se mostrava sensível à «questão prévia»”. Como resposta, o presidente do Conselho de Ministros apresentou a sua demissão.Pode-se especular que a doença que tinha poderá ter afetado a sua decisão, pois poucos dias após apresentar a sua demissão, “partiu para Paris a submeter-se a uma melindrosa operação às vias urinárias”.Em 1903, José Luciano foi de novo operado, mas a operação não correu bem. Regressou a Portugal com a mobilidade reduzida, fruto de uma “afeção degenerativa da medula dorsal, que a pouco e pouco lhe paralisou as pernas.”Foi nessa situação que foi convidado, em 1904, a formar governo. Seria o seu último mandato na presidência do Conselho de Ministros. De resto, “o facto de o país ser governado a partir de uma cadeira de rodas foi motivo de muitas caricaturas”.Foi na sua casa em Lisboa que José Luciano de Castro governou grande parte do tempo, recebendo nos seus aposentos o rei e outras grandes figuras nacionais e estrangeiras.Este seu último mandato ficou sobretudo marcado pela «questão dos tabacos», um dos mais importantes negócios do país, que movia muitos interesses e capital nacional e estrangeiro. Este tema era bastante debatido na opinião pública e abordado nos jornais. Considerava-se que havia “ligações promíscuas com a política, era motivo de suspeitas e ataques mútuos entre os principais partidos consoante estivessem no governo ou na oposição”.Contudo, o que começou a fragilizar o próprio governo foram interesses gerados no seio do próprio. À cabeça surgia José de Alpoim, que “ambicionava ocupar a Pasta do Reino para consolidar o seu Poder”, com vista a posteriormente se tornar chefe do Partido Progressista. José Luciano sabia dessas movimentações de bastidores, e acabou por acusar José Alpoim de “andar a conspirar contra ele desde três meses antes da demissão”. A situação tornou-se de tal modo insustentável que, em 1906, o rei retiraria a sua confiança ao governo.