José Luciano de Castro: vida e obra

O início da sua vidaApós contextualizar e abordar de uma forma geral as últimas décadas da Monarquia Constitucional em Portugal, foco-me agora numa das personalidades políticas mais influentes desse período: José Luciano de Castro.José Luciano de Castro nasceu em Oliveirinha, freguesia onde habito, que pertence ao concelho e distrito de Aveiro, a 14 de dezembro de 1834. Pertencia a uma família aristocrática da região, e o seu irmão, Castro Matoso, foi também uma figura política com algum relevo, de tal forma que foi dado o seu nome à Escola Básica de Oliveirinha, sendo conhecida como Escola Básica Castro Matoso.Por ter pressa de “entrar cedo para a vida política”, e porque a idade mínima para se poder ingressar na Universidade de Coimbra era de 16 anos, José Luciano entrou para a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra com uma certidão falsificada. Assim, “embora nascido em 1834 entrega na Universidade uma certidão em como tinha nascido a 29 de setembro de 1833”.Em 1854, formou-se bacharel em Direito. Em 1865, casou-se com Maria Emília Cancela Seabra, filha de Alexandre Seabra, presidente da Câmara Municipal de Anadia. Por consequência do casamento, “radicou-se em Anadia; deste matrimónio nasceram duas filhas”.Ainda enquanto estudante, José Luciano começou a “escrever em novembro de 1851 no periódico O Observador”. Após a conclusão do curso, continuou a colaborar com alguns jornais, como O Campeão do Vouga, O Comércio do Porto ou Aurora.No início da sua vida política, optou inicialmente por ingressar no Partido Regenerador. Em 1855, estreou-se no Parlamento, tornando-se, “provavelmente, o parlamentar mais precoce da História do país e também o de maior longevidade”. Contudo, por ser contra as políticas de Fontes Pereira de Melo, decidiu mudar-se, em 1861, para o Partido Histórico. É também nesse ano que se estreia no Parlamento como deputado do novo partido, “revelando-se um parlamentar combativo”.Em 1869, liderado pelo duque de Loulé – chefe do Partido Histórico -, José Luciano de Castro viu-lhe “atribuída a Pasta da Justiça”  no novo Governo. Nesse ano, José Luciano recebeu elogios do escritor Camilo Castelo Branco, que referia que era “um desses homens que têm um destino fadado lá em cima, uma missão arrojada a cumprir cá em baixo”. Em 1871, como referido anteriormente, defendeu o sistema rotativo. Numa altura em que o parlamento se encontrava bastante dividido, sob a presidência de Fontes Pereira de Melo, o deputado José Luciano de Castro “pronunciou um discurso marcante do seu pensamento e da sua trajetória pessoal, ao defender um modelo, baseado em dois partidos fortes”. Este modelo já existia noutros países que se regiam por uma constituição, e a ideia de se aplicar em Portugal nasceu do sentimento de “cansaço e a desilusão do país com a instabilidade do poder entregue a pequenos partidos”.A 7 de setembro de 1876, ocorreu o «Pacto da Granja», assinado na praia da Granja, do qual resultava a fusão do Partido Histórico, liderado nesta altura por Anselmo José Braancamp – o duque de Loulé tinha falecido em 1975-, com o Partido Reformista, chefiado por D. António Alves Martins, o bispo de Viseu, dando origem ao Partido Progressista. José Luciano de Castro esteve presente neste pacto, que tinha como objetivo fundir “dois Partidos num grande bloco que servisse de alternativa ao Partido Regenerador”. A pessoa escolhida para chefiar o novo Partido Progressista foi Anselmo José Braancamp, uma vez que “os próprios Reformistas queriam Braancamp como seu chefe”. José Luciano de Castro foi quem redigiu as bases do programa do partido.Em 1879, o Partido Progressista chegou pela primeira vez ao Governo, e “a Pasta do Reino que, por tradição, era a mais importante do Executivo, foi confiada a José Luciano de Castro”. Daqui podemos verificar a cada vez maior influência que o político nascido em Oliveirinha tinha, e não demorou muito a que chegasse ao cargo que ambicionava.Em 1885, após a morte de Anselmo José Braancamp, José Luciano de Castro assumiu a chefia do Partido Progressista, sendo o “único candidato, que vem a ser eleito por unanimidade”. José Luciano acabaria por ficar no cargo até à implantação da República, ano em que o partido se extingue.