José Luciano de Castro: vida e obra

Fontes Pereira de Melo foi demitido em fevereiro de 1886, e o rei decidiu nomear José Luciano de Castro, “com 51 anos, para a presidência do Conselho de Ministros do novo governo, entre 1887 e 1890”. Nesse ano, foi também escolhido para Conselheiro de Estado, “cargo de natureza vitalícia reservado a um número muito restrito de personalidades de elevado mérito”.Em 1889, faleceu o rei D. Luís, e o monarca que lhe sucedeu, o rei D. Carlos, optou por manter José Luciano de Castro no trono, mesmo com o período conturbado que o país atravessava, como a débil situação financeira e a questão do Ultramar.No ano seguinte, era José Luciano o presidente do Conselho de Ministros quando Portugal recebeu o Ultimato Inglês. O rei decidiu reunir “logo, o Conselho de Estado, do qual fazia parte o Chefe do Partido Progressista”. Nessa reunião, “formou-se o consenso de que, perante a ameaça de corte de relações e o movimento de esquadras britânicas”, Portugal era um país demasiado pequeno e pobre sem capacidade de fazer frente à armada britânica. Assim, decidiram ceder ao Ultimato, sabendo, porém, que tal decisão custaria o ódio da população. Três dias após o anúncio, o Governo apresentou a demissão. Nos tempos que se seguiram, houve por Lisboa “um verdadeiro ciclo de comícios, conferências públicas, reuniões de protesto e representações de poderes instituídos”. Quanto a José Luciano de Castro, manteve-se fora do Governo durante sete anos, continuando a desempenhar funções no Parlamento.Apesar do afastamento de cargos governativos, é a partir desta altura que José Luciano inicia um sistema rotativo também com Hintze Ribeiro, chefe de Partido Regenerador, na presidência do Crédito Predial Português.E o que era o Crédito Predial Português e que importância tinha no país? Ora, na década de 1860, fruto do impulso gerado pelo otimismo proveniente da Regeneração, desenvolveu-se em Portugal uma conjetura que beneficiou o setor bancário, “que até então, por cá, apresentava um desenvolvimento modesto, comparativamente a outros países europeus”. O Crédito Predial Português concedia empréstimos e recebia depósitos e, a certa altura, alcançou dimensão tal que emprestava avultados montantes a diferentes autarquias, ajudando a dinamizar as respetivas regiões. Assim, “todos os distritos e dezenas de concelhos acorreram a esse financiamento”. O estatuto desta Companhia foi crescendo ao longo dos anos, e também membros influentes da sociedade portuguesa começaram a depositar o seu dinheiro neste banco. Deste modo, pode-se perceber que este era outro cargo extremamente importante que José Luciano de Castro assumiu, rotativamente, com Hintze Ribeiro, que durou até 1910.