Tal como prometi, cá estou eu no Dia Mundial da Liberdade, onde também se evoca o direito à opinião e à escrita a mão.

 Tudo isto tem um dia no calendário, precisamente em vinte três de janeiro, quando o primeiro mês já caminha para o fim, pois no dia trinta e um, no seu ponto final, e relativamente ao crescimento diurno, quem muito bem contar, hora e meia lhe há-de achar.Estamos numa época bastante calma em atividades, o que dá azo a que muitas instituições, nomeadamente as autarquias planeiem a calendarização para eventos que se vão seguir.Tendo como ponto de referência a cidade mais alta, digo-vos que para norte aparecem os eventos ligados ao fumeiro e outros produtos de origem porcina. Para o lado sul e poucas semanas depois aparecem as feiras de queijo, a que se junta em ambos os casos a programação em direto dos vários canais de televisão e o tal jogo da chamada telefónica.Recuando o tempo, a meados do século passado, a minha criação não foi ligada ao fumeiro. Pelo fumo só passavam os enchidos. O que fosse carne passava pela salgadeira, que era a mais preciosa peça de mobília que tinham em casa, aqueles que tinham um dia de matação, ou de matança, como agora é mais usual ouvir-se. A salgadeira normalmente não estava muito acessível. Colocava-se numa divisão de pequenas dimensões e na maioria dos casos era fechada à chave, abrindo-se só quando havia necessidade. Costumava ter como companhia o pote do azeite, onde era mergulhado algum enchido para se comer mais tarde.Hoje tudo funciona de maneira diferente, os modos de vida mudaram, tudo chega até nós pelos meios de distribuição e onde tudo sofreu fiscalização, quer durante a vida dos animais, quer na transformação das suas próprias carcaças. Não acho pior nem melhor, mas tenho a certeza de que é diferente e muito menos trabalhoso, pois se tivermos em atenção o esforço que era necessário para lavar as tripas do suíno, não estou a ver hoje gente com muita vontade para o fazer, mesmo tendo em conta de que o porco tinha ficado sem ceia.Posso dizer que vivi mais ligado ao fabrico do queijo, “queijar” como se dizia cá pelas minhas bandas. Todas as evoluções que existiam do pasto até à abertura do queijo, passando pela viagem do leite do úbere à francela, com passagem pela “ferrada” até à paragem na panela para receber calor e obter a coagulação com o efeito do cardo, tudo isso eu sabia definir.Também aqui, no queijo artesanal houve alterações no seu fabrico, nomeadamente na utilização de ordenhas mecânicas que afiançam muito mais higiene no produto inicial, bem como as câmaras de controlo de temperatura e humidade lhe garantem uma cura muito melhor. Para além destas ferramentas que o produtor de queijo hoje tem ao seu alcance, há que contar com a qualidade de novas pastagens que se podem criar e as silagens muitos uteis em tempos mais rudes para o pastoreio. Para além de tudo isto ainda apareceram novos fármacos, em que rapidamente de trata a ovelha. Dou como exemplo a peeira, que além de ser uma doença febril, que danificava o leite, prejudicava também o animal na sua locomoção. Nas décadas de cinquenta a setenta num rebanho de vinte ovelhas ver quatro a coxear pela peeira era normal. Hoje num rebanho de duzentas é raro ver-se uma. Aqui podemos ver como as coisas evoluíram.Tendo em conta o que deixo escrito e convencido de estou plenamente certo no que afirmo, posso garantir que hoje se come melhor queijo. Independentemente das raças. O queijo é de longe melhor do que na minha juventude, muito embora eu reconheça que também há novos métodos relativamente à sua conservação. Mas ainda bem que a inovação contribui para as benfeitorias alimentares o que garante melhorias na saúde.Por aqui vos deixo até ao mês que vem.