Com a cadência do calendário sempre certa, cá estamos nós no último terço do outono.

Para trás já deixamos os festejos da castanha, que regadas com a nossa jeropiga muito nos afinam a garganta. Devo confessar que jeropiga é a bebida que eu mais gosto, mas também sei, que causa efeitos secundários, que me são prejudiciais. Aqui eu sigo a opinião de um amigo que afirma que é uma bebida feita à falsa fé, logo também se vinga do tempo curto que lhe deram para animar o São Martinho.
Por todo o interior norte de Portugal as festividades em proveito da castanha foram acontecendo, tendo até em parte dos eventos havido transmissão televisiva, onde era evidenciado o seu valor culinário e económico. Aqui pelas minhas bandas o maior evento relativo à castanha e onde eu tomei parte ativa, foi a atividade da Confraria da Castanha da Serra da Estrela, que procedeu à entronização dos seus primeiros confrades e de confreiras, que ultrapassaram as quatro dezenas. Este evento teve lugar em Celorico da Beira e num dia bem adequado, em onze, no dia de São Martinho. Esta cerimónia teve um particular realce pois trouxe a Celorico da Beira cerca de uma dúzia de Confrarias de diversas áreas geográficas do país, em que defendem os seus produtos endógenos de eleição. Mereceu especial destaque a Confraria da Castanha dos Soutos da Lapa, sediada em Sernancelhe e que neste evento apadrinhou a anfitriã na sua primeira vez que saiu à rua.
Os dias vão passando e a castanha vai perdendo a sua influência na animação popular. Agora estamos a entrar na colheita da azeitona que se vai estender por todo tempo que resta desta estação do ano. É evidente que já não tem aquela envolvência que tinha, devido a mecanização que tem desenvolvido a sua safra. Já não se veem os grupos de camponeses a povoarem os olivais. No entanto e já na parte do fabrico do azeite, as lagaradas juntam ainda muitas pessoas que gostam de saborear o bacalhau e as couves com azeite novo acabadinho de sair. Quase todos os lagares têm a sua agenda plena para as pândegas que os clientes, amigos e visitantes ali querem passar umas horas durante a noite, num ambiente que por força das circunstâncias se torna muito alegre e suave na temperatura. Enquanto a ementa principal não chega à mesa, sempre sai uma tiborna para fazer peito e daí se poder provar o tinto que vai acompanhar a refeição principal.
No meu ponto de vista, neste ano esta atividade da produção de azeite, deve estar em franco crescendo, dado que o seu preço galopou em face dos anos anteriores. Creio que se deve a uma escassez na produção de azeitona verificada na vizinha Espanha, que é o principal mercado mundial de azeite, Englobados como estamos na dita economia global, também somos obrigados a acompanhar o preço, que como tudo depende da oferta e da procura e daí o funcionamento do mercado.
Esta atividade da colheita da azeitona tem um inconveniente, pois para além de o dia solar ser bastante reduzido, também tem um clima incerto, onde por vezes o frio e a chuva causam certos constrangimentos. No entanto estas dificuldades também se vão debelando pelos efeitos da maquinaria, donde se tira mais rentabilidade e se investe menos esforço.
No que concerne à feitura do azeite, pois tudo está muito mais evoluído, pois hoje quase toda a azeitona é elaborada em lagares de linha continua, que para além de diminuírem em muito o tempo da feitura do azeite, não envolve mão-de-obra entre o trajeto da entrada da azeitona e a saída do azeite. Também este circuito não tem acesso, aqueles mirones que sempre desconfiam de qualquer desvio em proveito do dono do lagar.
Aqui pelas nossas bandas é esta a atividade mais importante que eu vejo agora nos finais de outono pelos campos, ou daí resultante, pois não podemos esquecer que é o azeite que nos vai adoçar as couves e dar alma ao bacalhau na festa da família, que é o Natal, logo uns dias depois de o inverno entrar.
E por aqui fico. Espero voltar em sete de dezembro, esperando que até lá a saúde nos não abandone. Um abraço.