“A alma tem de estar sobressaltada”
(Fausto Guedes Teixeira)


Albert Einstein, numa análise da interligação estreita entre Religião, Ciência, verdade e entendimento, deixou ao cientista uma regra importante a propósito do conflito entre Religião e Ciência: “a Ciência sem a Religião é aleijada, a Religião sem a Ciência é cega” (1).
A 6 de Abril de 2006, em resposta a um jovem que participava na Praça São Pedro num encontro de preparação para as Jornadas Mundiais da Juventude, Bento XVI afirmou que “o grande Galileu Galilei considerava a Natureza e a Bíblia como dois livros escritos pelo mesmo Autor”. O livro da Natureza estava escrito em linguagem matemática, porque, para construir o Universo é necessário o rigor da Matemática; a Bíblia, sendo a palavra de Deus, devia ser escrita numa linguagem simples e acessível a todos, assim como devem ser os valores da nossa existência, que é uma simbiose entre a esfera imanente e a esfera transcendente.
Sublinho algumas das conclusões interessantes a retirar da sua análise:
- Estudando a parte material de nossa existência, o Homem descobre as Leis fundamentais da Natureza. E não pode deixar de se perguntar: quem fez essas leis?
- A maior conquista da Lógica Matemática é o Infinito.
- Não existe nenhuma descoberta científica que possa ser usada para colocar em dúvida ou negar a existência de Deus.
Nos dias de hoje, é difícil convencer os jovens de que a Fé cristã não é irracional, mas que está ancorada na Razão, isto é, que tem uma base racional. Subsiste, entre muitos jovens, a noção de que a Ciência moderna deita por terra as justificações e argumentos da Religião e instala-se, assim, a ideia de que os jovens se afastam da Fé por esse motivo. Os média acentuam este pressuposto repetidamente: o pensamento racional constituiria uma obstrução à Fé.
Às milenares discussões entre teístas e ateus sobre a existência de Deus, à dicotomia evolucionismo vs. criacionismo, tem-se falado, nos últimos tempos, do “Intelligent Design”. O Design Inteligente começou por ser uma forma de contornar a proibição, em alguns estados norte-americanos, de se ensinar o criacionismo enquanto teoria científica..5).
Já S. Paulo nos dizia que “o que é invisível em Deus – o Seu eterno poder e divindade – tornou-se visível à inteligência, desde a criação do mundo, nas Suas obras” (Rom 1, 20)
Como os tempos modernos restringem a prova científica aos resultados que a Matemática e a Física nos podem fornecer, começou-se a estudar a comprovação matemática da existência de Deus.
Um dia, um professor da faculdade, sobre estas questões, surpreendeu com o seguinte comentário: “Sabem, a Ciência, com todo o seu saber acumulado, com a evolução e todo o progresso que conheceu, é incapaz de reproduzir uma coisa tão simples como um mero copo de leite, com todos os seus nutrientes, proteínas, vitaminas, sais minerais, enzimas,…”. Percebi logo onde queria chegar e entendi o alcance e a riqueza de uma afirmação tão simples, mas que, na sua simplicidade, diz tudo e dispensa quaisquer comentários.
Concluo, não podendo deixar de referir as inquietações reiteradas pelo papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude, 2023, a respeito do Outro: “Levantar-se e ir apressadamente”; “Só se pode olhar o outro de cima para baixo, se o outro estiver caído e quisermos ajudá-lo a levantar-se”.