Imaginem que o Sporting era campeão e que os festejos juntavam centenas de milhares de pessoas pelo país fora,

em pleno estado de calamidade.Imaginem que Portugal tinha sido escolhido para a disputa da Final dos Campeões Europeus e que recebia dezenas de milhares de adeptos da variante inglesa.Imaginem que os adeptos da variante inglesa já eram portadores da variante indiana do coronavírus.Imaginem que os adeptos portadores das duas variantes, inglesa e indiana, promoviam concentrações sem qualquer respeito pelas normas em vigor num país chamado Portugal.Imaginem que nessa final europeia era permitido público no estádio.Imaginem que nessa pátria os eventos desportivos e outros ainda não permitiam entrada de espetadores.Imaginem que tudo isto não era apenas para inglês ver.Imaginem que após as comemorações da hipotética vitória do Sporting no campeonato e da hipotética escolha do nosso país para disputa da tal final da “Champions” os casos positivos invertiam a tendência decrescente e disparavam em sentido contrário, pondo em causa todo o esforço dos nativos. Imaginem que no país onde se autorizaram grandes concentrações futebolísticas, os indígenas continuaram a ter que usar máscaras e os restaurantes a manter as restrições que lhes limitavam os horários e o número de clientes.Imaginem que nesse mesmo país as pessoas continuavam com os horários dos supermercados limitados e que as famílias não podiam exceder os seis elementos por mesa de restaurante ou esplanada, que os veraneantes tinham que se distanciar uns dos outros um metro e meio nas praias, no caso das toalhas, e três metros no casos dos guarda-sóis, ficando sujeitos a pesadas multas em caso de incumprimento.Esse era o país onde também um professor, em circunstâncias de registo de caso positivo na respetiva turma, recebia como orientação da DGS que se mantivesse apenas atento, em pleno período crítico da pandemia.Esse era o país onde se dizia que as escolas não eram locais de contágio e onde após a abertura dessas mesmas escolas esse mesmo contágio aumentou nas faixas etárias em idade escolar.Imaginem que em pleno período de retração da pandemia um professor vacinado entra em contacto com alguém positivo, respeitando o distanciamento físico, usando máscara e separação acrílica, regista teste negativo e é mandado para casa catorze dias em isolamento profilático.Imaginem que esse mesmo professor, em pleno recrudescimento da pandemia tinha tido um contacto de alto risco, sem distanciamento físico e com baixa proteção e que a Linha Saúde 24 lhe tinha apenas recomendado para estar atento.Imaginem que, como diz o povo, para se referir a situações semelhantes com tratamento diferente, que a gestão da pandemia tinha dois pesos e duas medidas.Esse era também o país onde, em pleno período de surgimento e crescimento exponencial dos contágios pela COVID-19 se desaconselhava o uso de máscara.Imaginem que os pareceres dos especialistas serviam apenas para português ver.Imaginem que os decisores políticos têm feito pouco do povo.Imaginem que esse país existia e era o seu.Qualquer semelhança com a realidade é pura ficção.