Na procissão anual, o primeiro andor e seus devotos já passaram.

Agora estamos na presença do segundo, em meados de inverno. A figura que desfila tem o mais curto cortejo, se bem que no ano que decorre seja um pouco mais extenso.Nos anos em que vivemos, já não é muito vulgar recorrer-se à sabedoria popular assente em provérbios devido às evoluções técnicas e científicas, mas tempos houve em que tinha de se ter muita atenção aos quartos da lua, aos ventos e sobretudo aos almanaques.Nesses tempos mais recuados e nesta altura do cortejo, já fevereiro tinha mandado avançar os bois para a frente, ordenando que os porcos ficassem para trás. Antes disso já as candeias tinham tido o seu dia de adoração.Acaba de recolher Santa Águeda que por o seu dia semanal ser o mesmo do dia de Natal e do dia de Ano Novo, que se passaram, é frequente por terras onde se venera, ouvir aos mais idosos esta sentença popular: - “Tal dia de Natal, Tal dia de janeiro, tal dia de Santa Águeda no dia cinco de fevereiro.Na data deste jornal sair para as bancas, na dita procissão a Santa Doroteia protetora das flores. Não fugindo ainda do mundo católico, aproveito esta data para, no meu ponto de vista, honrar o maior orador da língua de Camões e que me vergo em sua homenagem. Estou a falar do ilustre Padre António Vieira. Nasceu nesta data, seis de fevereiro a uma distância de quatrocentos e doze anos que veio ao Mundo. Para além de escritor, notabilizou-se como filósofo e religioso.Este fevereiro da era vinte/vinte começa a aquecer. Tal como a natureza vai subindo a sua temperatura, também entre os humanos isso se vai registando pois o calendário já nos traz no dia catorze, dia de São Valentim, padroeiro dos afetos e dos namorados.Eu e tantos outros que vivemos por esta Beira fronteiriça, temos o prazer de ser visitados anualmente por imensos turistas, para visitar as prendas que a natureza ano a ano nos vai atribuindo. Estou a falar da neve e os respetivos desportos que a Estrela recebe nos seus cumes mais elevados onde tudo fica da cor da noiva. Já nas cotas mais baixas e na margem esquerda do rio Douro a flor da amendoeira. Embora com duas cambiantes diferentes, faz de Figueira a rainha da amendoeira e de Foz Coa a sua capital.Já no aspeto culinário uma das sete maravilhas da gastronomia portuguesa, traz até nós a fina nata da sociedade portuguesa. Estou a falar do queijo Serra da Estrela, abençoada montanha que dá o seu nome ao melhor que Portugal tem. Da ovelha bordaleira ao cão, da neve à água, dos ares ao sol, vem tudo a descer, como que venha do Céu.Graças ao queijo da Serra da Estrela, vários concelhos da região estão a preparar os seus maiores eventos anuais, pois a qualidade faz com que muita gente se desloque e aproveite para adquirir objetos típicos das mesmas zonas. Ouve-se sempre dizer que o melhor queijo que é o de janeiro. Não deixa de ser verdade. Todavia temos que ter em atenção que é o que passa pela francela nesse mês, como carece de pelo menos um mês de cura, acaba por chegar à mesa dos seus apreciadores no mês seguinte e lá mais para o fim, chegando em certos anos até ao mês de Março.Entre estes eventos, também aparecem, embora poucos, alguns corsos carnavalescos, que em tudo se aproveitam para a sátira social e política. Embora tenha que se ter em conta que os festejos de entrudo ficam sempre atrás dos que citei, na maioria das situações aparecem onde não há queijo nem amendoeiras. Se por acaso acontecer nestas localidades, o carnaval é tido como mais um capítulo de animação no programa festivo que o queijo e as flores levam a efeito.Mas antes que isto de que vos falei aconteça, eu ainda aqui voltarei antes. Para falar de algo que no momento, me venha ao correr da pena.