Já passou o inverno e a primavera, já se festejaram os santos populares e já se encerrou o primeiro meio ano que em termos de calendário é o mais curto.

Já estamos no verão, estação em que o calor nos aperta e nos obriga a procurar locais frescos para que a gente se possa sentir bem e acautelar-se de algumas causas que sejam prejudiciais à nossa saúde.
Dito isto vou-os contar imprevistos que me aconteceram numa viagem que realizei em dois dias seguidos, com início em dezoito de junho do ano em que vivemos. Estou a falar do último domingo primaveril em que a viagem apenas foi movida pelo coração.
Tinha como destino o concelho de Penafiel, o que me levou a sair de casa pelas oito horas, por sinal ao canto do cuco, cujo cantar eu até achei tardio, pois é altura de eles partirem para outras paragens.
Como gosto de viajar pelas estradas que atravessam o Portugal profundo, pelas “nove e tal” estava pelas portas de Montemuro, onde a Beira Alta se separa do Douro. Como ali existe um posto abastecedor de combustíveis e um restaurante, parei alguns minutos para tomar um cafezinho e trocar dois dedos de conversa.
Este estabelecimento apresenta a designação de “ESTRELA DA SERRA”, foi o motivo que deu origem ao diálogo entre mim e o proprietário, onde eu comecei por afirmar que embora sendo oriundo da Serra da Estrela, foi a primeira vez que entrei na “Estrela da Serra”. A conversa alongou-se uns minutos onde se dissertou um pouco sobre a transumância de uns tempos mais recuados.
Fiz-me novamente à estrada, que agora era só descer pelo concelho de Cinfães, até Porto Antigo, onde cheguei pela zona de Tendais. Atravessei o Douro e na outra margem, portanto a direita, segundo o curso do rio, atravessei Porto Manso, localidade que Alves Redol tão bem retractou em obra escrita. Não me afastando muito do rio e seguindo pela dita borda, segui até Entre-os-Rios, local onde estava aprazado o encontro e com direito ao almoço na zona ribeirinha. Passou-se por ali o resto da tarde contemplando a subida e a descida dos cruzeiros que navegavam no percurso do Douro maravilhoso.
Ao final da tarde fui conduzido para os arredores de Penafiel. O jantar para mim foi dos deuses, com uma entrada de que eu não conhecia nem fazia ideia que existisse, cebola salgada em vinho para acompanhar com presunto fragmentado. O prato principal foi bacalhau com broa, de que gostei e que por aqui não se vê.
Por lá pernoitei e na manhã seguinte pelas dez horas, depois de uns acertos que ali me levaram iniciei a viagem de retorno e no sentido inverso.
Aconteceu que a cadência dos ponteiros do relógio me colocasse à hora de almoço nas portas de Montemuro mesmo junto à Estrela da Serra que eu conhecia do dia anterior. Por simpatia e também por curiosidade parei ali para almoçar, Fui recebido com uma certa cortesia e fui informado da ementa diária, com dois pratos à escolha, vitela estufada ou pescada frita.
Optei pela vitela que me caiu muito bem enquanto apreciava um certo esmero no serviço. Como fui o primeiro ocupante a sala, também aconteceu que fosse dos primeiros a concluir a refeição. Em acto contínuo dirigi-me ao balcão e já com a confiança adquirida dirigi a seguinte frase ao gerente: - Preciso pagar! Tive uma resposta curta e que me admirou:- E convém! Sorri e acrescentei: E se eu não estivesse disposto a pagar o que acabava por acontecer? Reposta rápida e de bom senso: - Ninguém lhe batia, mas ia ouvir o que não queria.
Pensando nesta resposta e fazendo uma análise à situação que apontei, vi que era o melhor dos sistemas, pois os dez euros que paguei, a falta deles não dariam para grandes confusões e perdas de tempo, nomeadamente num sítio isolado como aquele onde aquele restaurante se encontra. Também entendi de que era a melhor maneira de enfrentar o negócio, preferindo para isso fugir às questões de pouca importância.
Por aqui fico, prometo voltar no dia do amigo.
Até lá! Haja saúde…