O tempo corre a uma velocidade constante e sem qualquer parança.

Sem darmos por isso estamos na última quinta-feira do primeiro meio ano que estamos a viver. Olhando para o calendário vemos que daqui por uma semana já estamos na segunda metade anual, que curiosamente é maior do que a primeira em quantidade de dias, mas mais avessa da classe empresarial. É difícil encontrar dois meios desiguais.O que acabo de afirmar deve-se ao facto da maioria da classe laboral no segundo semestre gozar o mês de férias e daí receber o subsídio, com o último mês do ano pago a dobrar, resulta que nestes seis meses só trabalha cinco e recebe oito. Lembro-me aqui de uma conversa que tive com um conhecido industrial nortenho no ramo corticeiro, nos primeiros anos da década de oitenta, em que me afirmava que para ele tinha que ganhar no primeiro meio ano, pois no segundo já não havia tempo para isso.Tudo isto para dizer que estamos no dia importante na vida social portuguesa, que é dia de São João, no dia vinte e quatro de junho. A noite que antecede este dia é de grande folia com arraiais e outros modos de diversão onde toda a gente tem acesso, sem reparos à idade ou a qualquer outra situação. Aqui, com uma certa ironia minha, digo que o dia vinte e três de junho é o Dia Internacional das viúvas para que as mesmas sem qualquer reparo, as que quiserem, possam entrar pela noite a dentro usufruindo a alegria da noite de São João.Recordo aqui os meus vinte anos vividos na minha cidade, que é a mais alta, onde desde as Lameirinhas à Estação se dançava por todos os largos e ruas, onde primava o Bairro da Caixa. Havia mesmo ranchos de ceifeiros que subiam na véspera à cidade para partilharem esse divertimento. Hoje creio que já nada será igual, mesmo sem a adversidade do estado pandémico em que nos encontramos.No próprio dia vinte e quatro, aparecem muitos feriados municipais, penso que em consequência da ressaca nocturna, de que Porto e Braga são exemplos e feiras anuais pelo país fora como acontece na Guarda a tal cidade que eu evoco como que seja seu dono.Neste dia, penso que o maior do ano, em negócios de feira onde o regatear é arte, sobressai uma etnia que aqui também celebra o seu dia, estou referir-me ao Dia Nacional do Cigano.Para além de tudo o que aqui se disse, temos que ter em conta o que o São João marcava no aspecto económico no Portugal profundo, nomeadamente na região em que estamos inseridos e em tempos que vivíamos essencialmente da agricultura.  Este dia tal como a entrada do verão marcava o início das colheitas. Começavam-se a recolher as produções mais precoces e através de tratamentos iam-se tratando as mais tardias, especialmente aquelas que tinham o São Miguel como referência. Aqui temos que ter em conta de o São João se associa ao início do verão, enquanto que o São Miguel a vinte e nove de Setembro se associa ao final, pois chega aproximadamente uma semana depois desta estação do ano partir.Pelo São João a azáfama era sempre maior no mundo rural, dado que já se sabia das despesas com que se contava e ainda não se tinha a exacta ideia da produção nem dos preços de mercado, pois os valores quase eram sempre flutuantes.Os tempos mudaram bem como os mercados e o consumo. A globalização tomou conta da distribuição do que se procura e já de pouco servem as feiras anuais, pelo menos por aqui para garantir o sustento das populações. Para além das exposições de alfaias ligadas à cultura dos campos e de umas mostras para evocar a tradição, pouco mais há onde se veja o interesse de quem por cá vive.Deixei de ver, os vendedores que vendiam cobertores às carradas, onde o seu pregão era sempre um curioso reclame. Mas não falta quem venda, talvez em locais diferentes.Por hoje aqui vos deixo, voltarei no Dia Mundial da Alegria.