Hoje cabe-me falar do mês de maio, aquele em que pelo tamanho do seu tempo diurno,

pela necessidade que o trabalho agrícola tem da mão humana, obriga-nos a trajes mais ligeiros e confortáveis de modo a que nos possamos movimentar melhor nas tarefas rurais e nos movimentos quotidianos.Mesmo aqueles que vivem afastados da vida agrícola têm necessidade de se aligeirar na maneira de vestir, pois a incidência solar faz com que o nosso corpo necessite de arejamento.Também acontece em maio a maior peregrinação do país em que vivemos, pois no dia em que este jornal vai para as bancas a treze de maio, acontece a primeira grande festa anual em Fátima, onde o culto mariano tem a máxima expressão em peregrinos.Por coincidência este ano acontece em quinta-feira da Ascensão, o conhecido Dia da Espiga, onde o campo produtivo tem o seu grande dia por ser visitado por quem o admira. O Dia da Espiga, é o dia em que acontecem mais feriados municipais em Portugal, que são trinta, enquanto que o culto de Nossa Senhora de Fátima, tem dois que é o da própria cidade de Fátima e em Vila Real de Santo António.O mês de maio também se tornou o mais florido, nomeadamente na flora silvestre, onde aparecem montanhas cobertas de vegetação rasteira que nos deixam desfrutar um cenário de todas as cores, conforme a sua exposição solar, onde sobressaem as maias e a flor da urze, que são palco ideal para o trabalho da abelha para produzir mel com outros requintes. A produção hortícola começa a apresentar os seus renovos, daí que venha o fundamento com que foi titulado este artigo, pois as favas e as ervilhas já deliciam os seus apreciadores em ementas de teor variado.Além do mais, o mês de maio tem aquilo que é mais seu, o seu “maio”, que é e vegetação herbácea, que são as plantas de caule mole, que com a humidade afiançada dos meses anteriores, garantem a alimentação de todo o gado, tanto o da pastorícia como o que em liberdade procura o que lhe faz mais proveito. O próprio mês de maio tem aqui dois aspectos, o verde na primeira metade e depois para o final do mês onde já se sente a maturação e o material sobrante é cortado, enfardado e recolhido em silagem para alimentação dos mesmos animais durante o inverno, época em que o solo repousa.O gorjeado das aves alegram os campos e locais onde a poluição sonora não é incomodativa e até se dá conta do abandono dos ninhos pelas avezinhas que já nasceram e se criaram este ano. Aqui há que salientar o canto do cuco que nada faz pela vida e coloca os filhos na “roda”, que mais não é do que colocar os seus ovos em ninhos de outra aves, para que os seus filhos aí venham ao mundo e se criem. É uma maneira de gostar de viver à custa do suor alheio.Para os católicos, maio também é considerado o mês de Maria, onde os mais crentes se deslocam aos locais de culto em oração e também tem muitos dias dedicados a instituições e classes sociais, que pelo seu trabalho contribuem para que se viva melhor na nossa passagem pela Terra.Nem sempre as coisas correm tão bem como eu aqui as descrevo. É um mês propício a grandes trovoadas que dizimam colheitas, donde vem um prejuízo muitas das vezes quase dum ano inteiro. Por vezes as temperaturas também descem abaixo dos valores normais e há que recorrer ao calor. Por isso o povo criou máximas bem alusivas a esta situação, tais como: - A velha em abril queimou o carro e o carril, guardando a melhor cepa para maio. Também há quem afirme que em maio se comem as cerejas ao borralho. Tudo isto serve para afiançar que o frio, embora em modos esporádicos pode muito bem aparecer já bem perto do verão.Por aqui fico! Voltarei num dia nobre, que é o Dia Nacional do Bombeiro em vinte e sete deste mês. Até lá, haja saúde!