Por forma a criarmos plena equidade territorial,

com um desenvolvimento sustentado e estruturado do nosso território nacional há que promover redes de cidades e subsistemas urbanos locais policêntricos, ou seja, estruturar sistemas urbanos em rede de forma a criar pólos regionais de competitividade e de atração e assim todas as partes contribuírem para uma plena coesão territorial. É neste contexto que o eixo dorsal do interior, Guarda -Castelo Branco se afirma e deverá reforçar enquanto articulador e polarizador de um conjunto de cidades e vilas no território que abrange a Raia central, a Beira Baixa, Beira Alta e Serra da Estrela.Esta coluna vertebral que se reforçou com o eixo rodoviário A 23, ao longo do qual se desenvolve, terá a curto prazo mais um importante contributo para a sua afirmação no sistema urbano regional do centro, com a conclusão da modernização da linha ferroviária da Beira Baixa. Este eixo do interior beirão assume-se como fundamental para o reequilíbrio do território interior, onde as áreas envolventes estão em perda, no âmbito das dinâmicas demográficas económicas e sociais. As complementaridades de cada um dos territórios que constituem esta região podem e devem constituir uma unidade concorrencial com o restante território nacional e mesmo ibérico. Complementaridades que se fundem nos fatores comuns a toda a sua extensão e que criam naturalmente uma unidade territorial, cultural, patrimonial e social e que constituem um vetor decisivo para o desenvolvimento da região através da sua valorização e correto aproveitamento. A riqueza natural e paisagística, a par do património arquitetónico e histórico conjugados com a cultura tradicional são fatores únicos e inigualáveis para a atração de investimento e visitantes para a região e aos quais acresce as privilegiadas acessibilidades e conectividades internacionais que permitem uma potencial integração nos espaços Ibérico, Europeu e global. Daí que se torna necessário dar continuidade e reforçar a requalificação dos espaços urbanos aqui localizados por forma a oferecer cada vez mais um enquadramento físico atrativo para uma população e visitantes cada vez mais exigentes em termos de qualidade de vida. Qualidade de vida urbana e habitacional que no momento exige que seja objeto de cuidados e atenção redobrada por parte dos decisores e gestores urbanos. Com a pandemia que continua a ameaçar todo o planeta, as decisões e soluções para as cidades deverão ser tidas em conta com outro olhar e com uma maior intervenção de profissionais qualificados. Refira-se que neste contexto o interior poderá ter um papel de destaque já que a procura por estas localizações é preferida em detrimento dos grandes centros. Esta inversão na política das cidades passa pela obtenção de um espaço público de qualidade, com fáceis acessibilidades, oferta de equipamentos, redinamização e consolidação do património natural, valorização do património histórico, arquitetónico e cultural, pela implementação de zonas verdes e pela valorização do ambiente entre outros. Objetivos que têm de ser concretizados pela valorização da diversidade desta região com plena cooperação territorial de âmbito supramunicipal, em complementaridade e em rede, para os quais a sociedade civil deverá ser chamada e as ordens profissionais deverão ser um ator privilegiado e proativo. Todos devemos ser interventores e contribuintes líquidos para este desafio questionando-se cada um de nós sobre o seu papel participativo.  É também de forma a contribuir para este desafio, e da qual me orgulho, que a Ordem dos Arquitectos vai levar a efeito eleições para os órgãos nacionais e regionais onde pela primeira vez irão existir sete secções regionais e não somente as secções regionais norte e sul, localizadas no Porto e em Lisboa. A 26 de junho serão conhecidos os órgãos sociais das regiões Norte, Centro, Alentejo, Lisboa e Vale do Tejo, Algarve, Madeira e Açores. A Ordem dos Arquitectos pretende assim contribuir para a necessária descentralização através de uma ordem estruturada em rede onde a proximidade com a suas diferenças contribuirá para uma globalidade estruturada e sustentada. Prevendo ainda o regulamento da O.A a possibilidade de alargar essa descentralização através da implementação de núcleos e delegações em todas a subregiões do país, algumas das listas concorrentes reforçam no seu programa eleitoral essa intenção por forma a adequar a atuação da Ordem dos Arquitectos aos serviços descentralizados da administração central de nível regional, a de promover uma maior aproximação entre os arquitetos e a sociedade civil, e, a de criar ligações e relações de proximidade com os municípios. Se há região onde faz sentido criar uma delegação numa colaboração estreita com a faculdade de Arquitectura da UBI e os Municípios, é sem dúvida neste eixo estruturante da Beira Interior congregando as duas sub-regiões de circunscrição territorial NUT III, Beira Baixa e Beiras e Serra da Estrela por forma a reforçar a voz dos arquitectos aqui sediados, valorizar a arquitetura e o território e contribuir para que em conjunto a Beira Interior seja mais Portugal pleno e uno.