O jornal “A GUARDA” com o número cinco mil seiscentos e noventa e quatro aparece nas bancas com a data de vinte e cinco de julho deste ano de dois mil e dezanove.


Para a agricultura não é um dia qualquer, pois a uva começa a ganhar cor e da cereja já não há resto. Já outra fruta atinge o seu ponto alto, estou a falar da melancia, por ser uma fruta fresca bem apetecível neste dias em que o calor aperta.
Estamos a falar de um dia em que na religião católica se venera São Tiago, padroeiro da vizinha Galiza e em Portugal é na mesma qualidade respeitado em algumas cidades, várias vilas e muitas aldeias. Dentro da nossa diocese, é padroeiro do maior aglomerado populacional que é a cidade da Covilhã.
Pela sua importância junto das comunidades é feriado municipal em Cantanhede, Celorico de Basto, Mira, Mondim de Basto, Ovar e Santiago do Cacém.
A par destes eventos realizam-se feiras anuais na Covilhã, a maior da nossa região, Ericeira, Ervidel, Mirandela, Paderne e em Setúbal, onde a feira de São Tiago tem uma duração de dezasseis dias.
Terei que afirmar que na Igreja Católica outro Santo tem a sua veneração no mesmo dia que é São Cristóvão, que pode chamar a si um ou outro evento que citei, como é o caso de Ovar que no feriado municipal festeja o Santo padroeiro dos motoristas e viajantes, enquanto que São Tiago avoca a si a defesa dos exploradores, pioneiros e caminheiros.
De muito longe vem o ditado, pelo São Tiago pinta o bago, logo há que ter em atenção a nossa maior riqueza agrícola, pois vemos crescê-la ano após ano, tanto em produção como em exportação.
Cabe a uma parcela do distrito da Guarda, produzir o mais afamado vinho português, cujo “terroir” se situa na margem esquerda do Alto Douro vinhateiro, estou-me a referir somente a dois, o Barca Velha e o Vale Meão, mas há muitos mais de Custóias a Barca de Alva.
A par desta linha temos a parte do Dão e da Beira interior, onde Pinhel, Vila Nova de Tázem, dão o seu contributo.
É evidente que o culto a são Tiago pouco tem a ver com o vinho e com a vinha, todavia, convém dizer que é do São Tiago ao São Miguel, que o clima mais interfere nas vertentes da quantidade e qualidade, sobretudo da qualidade, pois à uva é o calor que lhe dá o açúcar e por sua vez é o açúcar da uva que dá o grau ao vinho.
Mas voltemos ao São Tiago, ou Santiago, ambas as grafias se referem ao mesmo Santo, diferindo apenas na dicção de região para região, ou em registos que acabaram por prevalecer. Situações idênticas, aparecem nos casos de Santana e de Sampaio, entre outros.
Falando ainda dos dois nomes, até há uns anos atrás, era muito vulgar aparecer um mocinho com o nome de Tiago, agora começo a dar conta que o nome Santiago aparece mais.
Em tempos recuados foram erigidas muitas ermidas em louvor de São Tiago ao longo dos seus caminhos a fim de proteger os peregrinos a caminho de Santiago de Compostela, onde iam em oração, levando apenas como equipamento, o cajado, a cabaça e a vieira.
Era a Fé que fazia estes peregrinos vencer montanhas e vales. Hoje existem os trilhos na mesma orientação, que em transportes devidamente motorizados chegam a Santiago mais movidos pelo desporto e adrenalina, que propriamente a crença.
Em pleno verão, com um mês já vencido, assim vou falando do modo como eu vou sentindo a religião que o povo ao longo dos anos soube enquadrar na agricultura, que juntamente com as fases da lua indicavam o saber a quem cuidava dos campos. Hoje as técnicas são outras, o camponês tem outros meios e mais evoluídos e os almanaques já não são a sua bíblia. No entanto terei que dizer que a tradição ainda se impõe em vários setores do mundo rural, nomeadamente aos que vivem em regiões com microclimas específicos
Por aqui vos deixo e até outra hora mais afortunada.