Aqui estou eu a escrever para vos falar do jornal datado de 23 de Junho de dois mil e vinte e dois.

Tal como vos prometi no número cinco mil oitocentos e trinta e oito de nove de junho aqui estou eu, para vos dizer que o dia de hoje é um dia com certas efemérides, como dia se São José Cafasso, dia Olímpico, dia do serviço público das Nações Unidas e também o dia internacional das viúvas.
São José Cafasso foi um santo de origem italiana, que se destacou ao serviço dos pobres. Tornou-se padroeiro dos encarcerados e dos condenados à pena capital. Pelas suas constantes visitas às prisões e a sua presença junto dos enforcamentos na sua cidade em Turim, ficou conhecido pelo Santo da Forca.
Outra particularidade que merece atenção no dia de hoje são as viúvas. Como também estou inserido na viuvez, sem pejo algum, posso divagar sobre este tema.
Sobretudo uma palavra de ânimo para aquelas que não conseguem vencer o luto e aos poucos se deixam embrulhar pelo isolamento dento do lar onde por muitas vezes só chegam as vozes levadas pela televisão. Para estas e desejo muita coragem para levarem em frente, tudo que elas a si próprias impuseram. Não é fácil mas por vontade própria a dor e a saudade vão minorando.
Outras com força para viver a vida partiram para outros relacionamentos, muitas vezes por razões económicas, sem alterarem o seu estado civil, para que possam viver uma vida mais protegida e poderem partilhar o tempo, o lazer e as opiniões, nada melhor do que a vivência em comum.
Conhecem-se ainda outras que querem conservar o recato. Vivem só na sua casa, mas não se abstêm de encontros esporádicos em terras alheias para dar azo ao desconhecimento. São as tais barreiras que o amor vence, mas tudo dentro de um jogo escuro para não ser aplaudido. Se não fui correto no que acabei de dizer, expresso as minhas desculpas a quem ficou ferida na sua sensibilidade.
Mas o mais importante do dia vinte e três de junho é a noite. A noite que antecede o dia de São João, onde os arraiais se organizam por todo o país, indo dos grandes centros à mais pequena aldeia.
Gostaria de estar mais actualizado como é esta noite na cidade da Guarda, nos dias de hoje. Só que nas últimas décadas eu não tenho passado a noite de São João na Guarda, logo aí eu já não sei bem como é nos tempos que correm, mas recordo-me perfeitamente como eram as noites de São João meio século antes.
Era a noite mais divertida da Guarda em cada largo se saltava a fogueira com o seu cheiro a rosmaninho e em cada local mais habitado se aproveitava o melhor largo para o baile popular.
Tudo dançava, não havia diferença nos extractos sociais ou na condição civil, pois o povo gostava e dava vivas ao São João, numa das primeiras noites de verão em que o calor fazia alargar a roupa.
Já os comes e bebes não eram tão frequentes, pois o dinheiro não abundava e o melhor era ir comido e bebido para o bailarico.
Estou a falar a cinquenta anos de distância, tempos do meu serviço militar obrigatório no extinto e histórico Regimento de Infantaria nº 12, instalado nessa cidade. Como tal, não me lembro do peso que a sardinha assada pudesse ter, mas sei que o São João nesse tempo tinha uma especiaria na Guarda, estou a falar de enguias em barrica de madeira que de muito longe levava gente à cidade para este pitéu, na época bem acessíveis no preço.
Também não é menos certo que esta noite na Guarda, não tinha o peso da do Porto ou da de Braga, pois além de haver menos gente também havia que guardar algumas energias para a forte feira do dia vinte e quatro, com a cidade cheia de feirantes e de ranchos de ceifeiros, que ainda os havia, para ajustarem o corte das searas de centeio das terras do lado nascente do concelho da Guarda.
Hoje por aqui vos deixo. Voltarei num dia mais doce, o dia mundial do chocolate.
Haja saúde e boa disposição para todos nós. Aquele Abraço!