Cuidado e alegria

Os números que nos vão chegando a cada dia que passa retiram de nós a alegria natural que cada um possui para viver. Mesmo com o combate contra a pandemia a aumentar, as infecções e os números de referência não deixam de galopar. Creio que o povo português se habituou a lidar ao longo de quase ano e meio com este flagelo e está a dar de barato o perigo que o Covid-19 representa para a saúde pública e para a economia global.Este aspecto e nos moldes em que o estou a focar não se enquadram na zona nem nos hábitos com que estou familiarizado, pois além de ser uma região de fraca densidade populacional dotada de um povo cauto e ordeiro que por natureza própria acata de bom grado os alertas que lhe são transmitidos, pelo que se evitam grandes aglomerados e se guardam as distâncias mais aconselhadas.Para sustentar o que afirmo digo-vos que passou o mês dos santos populares e nada vi onde se pisasse o risco. Apenas vi uma rua enfeitada na povoação de Aldeia Rica no meu concelho, o de Celorico da Beira, em honra do português mais Santo e do Santo mais português, que é Santo António. Vim também a saber que houve uns poucos de foguetes que estalaram e arrematação de ofertas, pois os devotos que as ofereceram não queriam prolongar por mais tempo o pagamento da graça com que seu Santo protector os brindou.Estou a falar de uma aldeia integrada na União de freguesias Açores e Velosa, por si só nunca foi sede de freguesia nem tão pouco de paróquia. Mas quem tiver a curiosidade de conhecer as suas gentes, acaba por lhe reconhecer a franqueza e a aspiração que faz com que se atinja o objectivo tantas vezes alcançado.Foi brindada pela rede de auto-estradas que a coloca numa situação privilegiada, pois está por esta via ligada a todas as capitais de distrito de Portugal,  com excepção de Portalegre e Beja, mas também a todas as grandes cidades europeias.O seu povo soube tirar partido desta vantagem e daí dinamizar a economia da Aldeia Rica em diversas áreas, muito embora se reconheça que alguns tiveram de se deslocar para outras paragens por ali não terem mercado suficiente, mas os que ficaram mostram o seu dinamismo e outros que regressaram após a vida activa noutras paragens, ali vivem dignamente dando uma certa alma à povoação.Num universo que ronda as duzentas pessoas e com uma certa ligação à agricultura, para alguns já um pouco distante, contam-se um pouco mais de três dúzias tractores agrícolas que pouco ou muito vão laborando mediante o objectivo do proprietário. Outras alfaias de menor dimensão também têm o seu lugar em campos mais repartidos.É um povo que gosta de viver a vida quando as condições o permitem, conviver e comer fora de casa, mesmo sem sair da localidade por terem criado instalações para esse efeito e quando saem apresentam-se de forma digna. São briosos na forma de trajar e do modo como se apresentam evocando sempre o mais digno que a terra possui, bem como os seus conterrâneos que com o devido estatuto vão dando o melhor de si ao país e até numa área global. A título de curiosidade digo-vos que nesta aldeia os veículos Mercedes a circularem na vida quotidiana ultrapassam as três dezenas dentro dos vários modelos.Sinto muito prazer em produzir este texto, pois estou a falar de um povo e do seu povo que mostra o fruto do trabalho e que tem o devido cuidado nas atitudes e expressa a alegria nos bons resultados.Estou a falar de coração aberto e de gente que no meu entender conheço bem. Não é minha intenção fantasiar em qualquer dos aspectos que aqui foquei, falo de coração aberto. Também sei que não sou dono de toda a verdade, se alguém tiver outros argumentos faça favor de os expor, pois entendo que uma contradição sendo justa, afina mais a minha ideia sobre qualquer assunto. E por aqui fico, despeço-me citando um velho moleiro da antiga vila de Barrelas, “Inté cando calhar”.