Tardou, mas chegou, a decisão que compara os crimes cometidos pelo comunismo aos que foram cometidos pelo nazismo e que está a causar grandes incómodos na esquerda política nacional.


A esquerda política portuguesa sempre considerou que um morto num campo de concentração nazi era diferente de um morto num campo de deportação comunista, na Sibéria. Nada de mais errado.
Estas duas ideologias, que originam regimes musculados e opressivos, não são nada mais do que duas faces de uma mesma moeda. A génese do nazismo está enraizada no próprio comunismo e surge como uma reação para o combater. O comunismo soviético e o nazismo alemão foram manifestações do pior que a natureza humana encerra em si mesma, daí terem gerado regimes igualmente violentos e imperialistas.
No documento histórico, aprovado em 19 de Setembro do corrente ano, com 535 votos a favor, 66 contra e 52 abstenções, o Parlamento Europeu “recorda que os regimes nazi e comunista são responsáveis por massacres, pelo genocídio, por deportações, pela perda de vidas humanas e pela privação da liberdade no século XX numa escala nunca vista na História da humanidade, e relembra o hediondo crime do Holocausto perpetrado pelo regime nazi; condena veementemente os actos de agressão, os crimes contra a humanidade e as violações em massa dos direitos humanos perpetrados pelos regimes nazi e comunista e por outros regimes totalitários”.
Ninguém pode negar a existência de um Holocausto Nazi, mas, de igual forma, temos mais do que suficientes para afirmar que houve um Holocausto Vermelho, comunista.
Com esta decisão, os deputados europeus reconheceram aquilo que estava à vista de todos os que de forma equidistante olham para estes dois regimes e que muitos historiadores vinham assumindo em muitas obras, como é o exemplo do “Livro Negro do Comunismo” escrito por uma equipa de historiadores, coordenada por Stéphane Courtois, em que se revelam os números de mortes às mãos de ditadores comunistas: Mao Tsé Tung com 65 milhões de mortos na China; Estaline e outros ditadores da União Soviética, quase 20 milhões; um milhão com o regime sanguinário do Vietname; Pol Pot no Camboja com dois milhões e outros dois milhões na Coreia do Norte com a dinastia de ditadores que ainda se encontra no poder e que tem como atual percursor do regime, Kim Jong-un.
“Ao todo, regimes comunistas mataram perto de 100 milhões de pessoas — cerca de quatro vezes mais que o número de mortos pelos nazis — tornando o comunismo a ideologia mais assassina da história humana”, escreveu Marc Thiessan no Washington Post.
Esta resolução perca por tardia, uma vez que os crimes do nazismo estão no mesmo plano dos crimes do comunismo, ou vice-versa.
Pena que a comunicação social não tenha dado a esta decisão o relevo que ela merece e exige.
Não há nada como pôr as coisas no lugar e foi isso que o Parlamento Europeu fez no dia 19 de setembro de 2019, uma data que podemos considerar histórica para todas as vítimas do comunismo.