A pior publicidade que se pode fazer a um concelho ou região é a de não poder oferecer cuidados de saúde e um serviço educativo de qualidade.

Quem quer vir viver para um concelho onde há carência de profissionais de saúde na maioria das especialidades médicas e em que a própria urgência médico cirúrgica está em rotura?Estamos a chegar ao ponto em que já não contamos as especialidades médicas em que faltam profissionais porque isso é tarefa difícil. Chegou o momento de ser mais fácil enumerar os serviços que têm médicos em número suficiente para assegurar os cuidados de saúde a uma população cada vez mais envelhecida e a necessitar deles com maior frequência.É esta a triste realidade da saúde na ULS da Guarda onde a sua unidade de saúde maior, o Hospital Sousa Martins, está prestes a ser transformado num mero centro de saúde.Se olharmos para as admissões mais recentes e significativas de pessoal para a ULS da Guarda, temos conhecimento da entrada de auditores, juristas e administrativos, como se a missão desta unidade orgânica fosse tudo menos prestar cuidados de saúde.Se olharmos para os quadros de pessoal da ULS Guarda podemos contar mais juristas do que ortopedistas. Podemos contar mais juristas do que cardiologistas. Podemos contar mais juristas do que oftalmologistas. E poderíamos continuar a contagem. Não haveria surpresa nenhuma.Com tantos juristas não se conseguem operar cataratas, nem aquelas que nos vão colocando nos olhos quando a ULS abre a porta a mais um conjunto de admissões que apenas têm em comum os admitidos serem detentores de cartão partidário, do PS ou do PSD. São os chamados jobs for the boys com tanta tradição na sociedade portuguesa e guardense. É neste job for the boys que reside o problema maior da saúde no hospital da Guarda. Esta unidade de saúde foi sendo transformada numa trincheira partidária que tem desviado a ULS da sua verdadeira missão: PRESTAÇÃO de CUIDADOS de SAÚDE à POPULAÇÃO.É a chamada PS & PSD, boys and girls, SA, uma sociedade anónima de capitais partidários para criação de postos de trabalho permanente contra os interesses da população da Guarda.Quanto ao resto, na parte que diz respeito à saúde, a ULS da Guarda está em vias de se transformar numa espécie de unidade gestora de veículos de transporte de doentes para o hospital de Viseu.Por estranho que pareça, na ULS da Guarda, ainda se contratam pareceres jurídicos e auditorias a entidades externas. Talvez seja chegado o momento de distribuir também essas tarefas pelo pessoal médico, principalmente pelos anestesistas, cardiologistas, ortopedistas e oftalmologistas. Sempre se poupavam uns trocos. Vamos lá a perceber isto…jobs for the boys e assim se destroem as instituições e o país.