No passado dia 21 de abril participei, a convite da APADG - Associação de Professores Aposentados do Distrito da Guarda, numa sessão de apresentação e debate sobre o tema “Água, recurso vital e escasso”, integrado na dinâmica “Conversa na Biblioteca”, que mantêm em colaboração com a BMEL - Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço.


O tópico foi lançado pela nossa conterrânea Professora Doutora Engenheira Margarida Cardoso da Silva, ex-investigadora no Laboratório Nacional de Engenharia Civil e ex-vice-Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (https://apambiente.pt/) complementado pelas apresentações das Senhoras Engenheiras Susana Fernandes e Maria Helena Alves respetivamente Administradora e Coordenadora da Região Hidrográfica do Tejo e ribeiras do Oeste.
Decidi escrever este pequeno texto para partilhar parte do que ouvi, e assim dar um modesto contributo ao jeito de uma chamada de atenção para a importância cada vez maior do tema, assunto ainda mal entendido numa grande parte da Sociedade.
A água é um dos mais importantes compostos químicos, sobretudo por ser necessária à manutenção da vida humana: corresponde a mais de 60% do nosso peso corporal (cerca de 81% do sangue, 75% do cérebro e músculos, 64% da pele … 22% dos ossos), permite regular a temperatura interna do corpo e é essencial a todas as funções orgânicas.
Em média, uma pessoa saudável de meia idade precisa ingerir, direta ou indiretamente, 4 litros de água por dia. A OMS (Organização Mundial de Saúde) estima que para satisfazer as necessidades básicas de água são no mínimo necessários 15 litros/pessoa/dia. Em Portugal os consumos médios típicos variam entre os 130 litros/pessoa/dia na bacia do rio Liz e os 530 litros/pessoa/dia no Algarve.
Existe em muitos de nós a falsa ideia de que os recursos hídricos potáveis são ilimitados e nunca vão faltar. Realmente há muita água no planeta, mas a água doce é menos de 3%, e desses, cerca de 99% apresenta-se congelada nas regiões polares, em glaciares e “permafrost” (solos permanentemente congelados dos quais se admite que, por efeito do aquecimento global possam descongelar e com isso possam liberar vírus esquecidos e bilhões de toneladas de gases de efeito estufa, com o risco de acelerar ainda mais o ritmo desse mesmo aquecimento), ou em rios e lagos subterrâneos, o que dificulta sua extração e consequente utilização pelo Homem.
O usos consuntivos da água (os que a retiram do seu manancial e a consomem, afetando a disponibilidade hídrica eventualmente necessária para outros usos) dividem-se em cerca de 74% para agricultura e pecuária; 20% para utilização no espaço urbano; 5% para a indústria e 1% para o Turismo.
Foram apresentados indicadores que revelaram, na maior parte do território português, reduções nos níveis de precipitação e desequilíbrios na sua distribuição ao longo do ano e, pior que isso, muitos baixos níveis de % de água nos solos. Aliás, na nossa região, contrariando o que é normal e seria de esperar, os atuais níveis são mesmo inferiores aos verificados no início do ano hidrográfico (outubro de 2021).
E assim as evidências recomendam uma atenção urgente e permanente, a necessidade de se levar a sério a Gestão séria deste recurso escasso visando o seu uso eficiente. Para além de se recomendarem ações de sensibilização para a necessidade de adotação de soluções que mitiguem o problema e em toda a comunidade, também se recomendou o estudo e elaboração (antecipada) de planos de contingência, e revelou-se como inevitável a reutilização da águas tratadas provenientes de ETARs, permanente analisadas e sujeitas a avaliações de risco, para utilização por exemplo na regas de espaços verdes e na lavagens de ruas e veículos. Sendo esta uma previsível inevitabilidade, iremos ter necessidade de separar as redes de condutas de águas para potável e não potável mas tratada. Embora não exista legislação e regulamentação que o obrigue, seria de interesse público os Municípios começarem desde já a projetar a construção de condutas principais para esta nova necessidade mas também sensibilizar os promotores imobiliários para a importância de também projetarem e executarem, em antecipação, a micro distribuição nos seus loteamentos.
O tempo irá dar razão a esta iniciativa quando se descobrir que, com um baixo custo de implementação no início, se evitarão futuros remendos no património construído e os seus custos estéticos e monetários.