Abaixo as máscaras?

Mas quem é que anda a dizer esse disparate! O uso das máscaras irá certamente ser uma norma que nos irá acompanhar por algum tempo ainda. Este pedaço de pano é irritante? Para alguns certamente que sim, para outros menos. A norma, a regra, a lei não podem ser uma questão de gosto. Porque a máscara continua a ser, acima de tudo, uma proteção indispensável. Na panóplia de medidas implantadas e impostas durante meses para combater a pandemia, o uso da máscara e a lavagem das mãos foram e continuam ainda a ser os reflexos mais simples e eficazes para nos protegermos a si próprios e os outros. Os políticos - felizmente poucos em número nesta fase - que ainda se atrevem a sugerir a sua abolição, mesmo que seja apenas no trabalho, têm uma memória curta, o que nas circunstâncias atuais, equivale a perder o sentido da responsabilidade. Devem lembrar-se de algumas declarações, sobretudo no princípio pandemia, em que defendiam que o uso da máscara era inútil. Estas declarações foram feitas contra todas as provas científicas, e contra todo o bom senso comum, e foram posteriormente confirmadas como estando ligadas à falta de máscaras para toda a população. Será que já esquecemos aquele entusiamo inicial em que tirámos as máquinas de costura das nossas arrumações e nos pusemos a coser peças de tecido improvisadas para confecionarmos máscaras para nós próprios e para oferecer aos amigos? Nessa altura fizemos verdadeiras oficinas improvisadas e outros lançaram-se, com sucesso e em pouco tempo, a montar fábricas de máscaras? Hoje em dia, as dobras plissadas em frente do rosto são a norma. E todos nos habituámos a ver-nos, a falar uns com os outros, a andar de um lado para o outro com uma máscara. Azul, preta, colorida, temos sempre uma ou duas connosco, temos stocks em casa e perguntamos aos nossos amigos e família antes de sair: “Tens a tua máscara? Então porquê reintroduzir subitamente a dúvida e sobretudo quebrar um reflexo salvador que tínhamos tanto medo de impor?Tanto mais que os peritos continuam a dizer que a máscara é a proteção diária indispensável até ao fim do inverno ou mesmo até à primavera de 2022. No trabalho, na loja, na vida social, é mais uma oportunidade para sair airosamente desta situação. É uma precaução. É como o cinto de segurança. Mesmo que viajemos com um excelente condutor, o cinto é uma proteção adicional.  Usar uma máscara é uma das formas mais simples de assegurar que a situação vai regressando ao normal, mesmo quando as taxas de vacinação continuam a ser insatisfatórias. Então quem pode considerar isto um gesto supérfluo, especialmente quando caminhamos para o Inverno? A máscara passou a ser uma espécie de companheiro de vida, sempre à disposição, no saco, na mala, na pasta, nos bolsos, tal como um lenço de assoar.