As tecedeiras eram uma profissão um pouco mais particular, uma vez que as mulheres recebiam aprendizagem para se tornarem profissionais qualificadas.

Estas recebiam ensinamentos formais por parte de uma mestra, e posteriormente eram sujeitas a um exame final perante os juízes da corporação. Em 1808, por exemplo, 400 tecedeiras eram proprietárias da sua oficina no concelho de Coimbra. Nesse mesmo ano, a quinta maior contribuinte, num total de 1.805 ‘’oficiais de porta aberta e vendedores de mercado” era Maria Bárbara, uma tintureira que pagou 600 réis, quando a média era de 227 por profissional. Para além de Maria Bárbara, mais de quinhentas mulheres em Coimbra tiveram de pagar esse imposto aos franceses, de modo a financiar as campanhas de Napoleão na Europa.Havia sítios que não funcionavam sem o trabalho feminino, sobretudo nas instituições de assistência a doentes, pobres, crianças e mulheres. Ser ama de expostos, por exemplo, foi uma atividade que foi crescendo, com uma função económica semelhante à das indústrias rurais. No século XIX, começou a ser questionado o trabalho das mulheres, uma vez que os homens começaram a considerar que seria um problema estas desempenharem funções laborais, isto porque, com o trabalho, se tornavam masculinas. Assim, surgiu o mito de que as mulheres tinham saído da clausura doméstica para trabalharem, deixando de cuidar dos seus filhos e marido. A par desta nova problemática, surgiu no meio burguês o modelo da família ideal, onde a mulher era apresentada como um anjo do lar, um ser frágil e intelectualmente inferior, responsável pela harmonia do lar devido à sua bondade e doçura.  Deste modo, as mulheres só deveriam trabalhar em alturas de emergência, algo que era inclusive defendido pelos sindicatos. Para além disso, havia também a questão moral, pois o trabalho fazia com que as mulheres socializassem com os homens. No entanto, foi também em finais do século XIX que foram construídos liceus, que permitiram às mulheres ter uma melhor educação, ainda que o nível da instrução do sexo feminino continuasse nas décadas seguintes bastante baixo.No século XX, com o surgimento dos regimes totalitários, o sexo feminino foi direcionado para um panorama de submissão perante o chefe de família, presente também em muitos slogans e outros meios de comunicação. Por isso, a mulher devia-se remeter ao lar para o bem da família. Este modelo seria replicado em alguns países, como a Itália, a Espanha e Portugal. Um dos exemplos desse modelo patriarcal é a adoção do sobrenome do marido, pressupondo-se assim que ambos formavam uma única célula. Para além disso, por serem regimes que procuravam fomentar a natalidade, para que se expandisse o contingente populacional da nação, usava-se a função reprodutora para condicionar a mulher ao lar.Por último, importa referir que as mulheres começaram, com a Primeira Guerra Mundial, a aparecer em profissões especializadas, uma vez que os homens estavam na frente de batalha. Deste modo, é aqui que começa a surgir a prova da capacidade das mulheres em desempenharem trabalhos de exigência intelectual superior. Na Segunda Guerra Mundial, o mesmo viria acontecer e, com o fim dos totalitarismos, a mulher foi conquistando o seu espaço no mundo laboral.Concluindo, é falsa a opinião geral que se vai ouvindo na esfera pública. Na verdade, e verificando as investigações históricas que foram sendo feitas relativamente a esse período, as mulheres sempre desempenharam trabalhos ao longo da História, ainda que não existisse igualdade social na escolha destes. O facto de o acesso à educação ter sido durante vários séculos bloqueado ao sexo feminino fez com que se vissem afastadas de cargos superiores. Isto não significa que não tenha havido mulheres a alcançar elevado estatuto, mas essas significavam uma minoria face ao restante sexo feminino. A abertura do ensino a ambos os sexos e a mudança de mentalidades que foi sendo feita nas últimas décadas é que tem permitido a inserção da Mulher em cargos que anteriormente se consideravam ser incapazes. Contudo, nos dias de hoje, continua a haver ainda alguns pensamentos um pouco retrógrados relativamente à igualdade de género, não só no alcance de lugares de topo, como também no salário auferido. Por isso, é uma temática que precisa de continuar a ser trabalhada a fim de alcançar a igualdade total de géneros relativamente a esta problemática.