Nas últimas décadas a evolução do nosso mundo rural tem tido significativas alterações e no meu ponto de vista para o lado positivo.


Todos sabemos que a principal actividade do mundo rural é agricultura. Ora quem vive dessa exclusividade tem de se tornar um empresário e ter para isso uma literacia adequada para saber controlar o proveito das suas explorações. Devem ser devidamente enquadradas com o seu espaço agrário, tanto a sua frota de alfaias como o número de cabeças de gado, consoante esteva vocacionado de produtos da terra ou para a pecuária.
Os empresários ligados às explorações agrícolas têm que ser poucos e terem largueza de terrenos para que possam colher a devida compensação. Nos tempos que correm veem-se muitos a pôr termo à sua actividade, mas em contrapartida vemos logo outros a tomarem conta dessas parcelas de terreno para alargarem mais o seu campo de acção.
Já em tempos recuados quando a agricultura era a principal saída, em conselho aos que queriam ficar pela terra se dizia: - “Arranja casa onde te metas e fazenda onde estendas”, isto dava bem a entender que era o tamanho as propriedades que mais reforçava o que era necessário para se viver melhor.
Houve uma classe que está em vias de extinção, são os camponeses que eram assalariados que muitas vezes faziam as suas migrações periódicas. Hoje existe muito pouco dessa gente, só aqueles que são necessários para a apanha de fruta mole que vai para a mesa e não resiste aos solavancos mecânicos.
De outro modo apareceu uma nova geração de camponeses, onde me situo eu, vivemos no campo, aí habitamos em permanência, mas não usufruímos do espaço rural qualquer rendimento. Trata-se da uma linhagem de camponeses que optámos por esta vida apenas para ter o silêncio com vizinho e que nos faz muito bem.
Também uma indústria, embora já muito antiga se inseriu no espaço rural. Como o próprio nome afirma, é o turismo rural, onde os citadinos vão procurar o sossego que as grandes cidades lhes arrebatam. Muitas estruturas vão aparecendo nos locais mais paradisíacos onde se retemperam forças para novas caminhadas.
Mas aqui também existe um senão, quem tem as melhores condições de lazer acaba por sair beneficiado o que leva alguns a ficar pelo caminho. Isto sempre aconteceu no mundo em que vivemos, os grandes sempre dizimaram os pequenos.
Evidentemente que as organizações que resistem dão alma a todo espaço em seu redor, nomeadamente em caminhadas com trilhos devidamente idealizados para dar a conhecer maravilhas da natureza que são muito pouco divulgadas e em resultado disso se tornam atractivo. Mais atraentes são essas deslocações de acontecerem no dorso de um asinino ou cavalar, já treinado para esse efeito e com a intenção de causarem mais adrenalina. A nossa culinária também se tornou um chamariz, onde os fornos de lenha lhe deram um grande impulso, por enriquecerem os sabores e os saberes de quem fez do campo o seu modo de vida. A cozinha provinciana sempre se abasteceu dos produtos endógenos e sempre os foi apurando no sabor, com o calor criado na própria lareira e dentro de panelas de ferro e com o tempo que chegasse, para se alcançar a perfeição.
A nossa carne proveniente de rês criada em liberdade bem como a originária de espécies cinegéticas levam à mesa manjares que deliciam o mais sublime dos paladares.
Tudo isto se passa agora, por terras onde a população escasseia. Não deixa de ser verdade que em terras pobres não pode viver muita gente. Temos que nos afirmar com uma densidade populacional em perfeita harmonia com o que produzimos e ainda que essa produção seja cada vez proporcionalmente mais elevada por cada um que cultiva a terra.
Há também que ter em conta que em qualquer actividade desta área, há uma situação que não pode ficar para trás, é a burocracia. Se a papelada não acompanhar a evolução do movimento da produção, os apoios estatais ficam pelo caminho e as dificuldades enfermam o homem que quer tirar proveito da terra.
E por aqui vos deixo, haja castanhas e jeropiga para todos nós.