Nasci num tempo em que Portugal era um país essencialmente agrícola e com a esmagadora maioria da população a viver do campo.

Tudo o que nele se produzia tinha de gastar suor através do trabalho braçal ou de animais que foram domesticados para ajudarem os camponeses nas tarefas mais árduas da lavoura
Com o decorrer do tempo e aos poucos a agricultura foi-se modernizando e perdendo gente. A mecanização foi avançando e hoje são muito pouco os que vivem do campo, mas a produzir muito mais do que em tempos idos na proporcionalidade do terreno onde se implanta qualquer seara.
Hoje a exploração agrária é uma indústria em que a sua produção evoluiu com o trabalho da maquinaria adequada para o produto que se quer obter, cada alfaia tem a sua aplicação no solo que se há-de vestir com o produto final.
No âmbito da indústria agrícola a mais importante matéria-prima é a água. Sem a humidade que deste precioso líquido resulta, nada germina. Nem sequer a pior das ervas daninhas se cria com a sede.
Com a água tudo se cria desde que a sua distribuição obedeça às carências da planta e dentro do equilíbrio que a mesma necessita.
Por outro lado, a maior fonte de energia que os campos podem receber é o sol. Sem sol nada se desenvolve, muito embora se tenha em conta que nem toda a área agrícola precisa da mesma quantidade.
Em face do que digo e mediante o que vejo para que haja uma produção exemplar em qualquer sector agrícola a água e o sol têm que ter a sua proporcionalidade ao desenvolvimento da plantação. Pode haver outros aditivos que em tudo podem melhorar, mas sem água e sol nas devidas condições ninguém vai alcançar os resultados desejáveis.
Pelo que no meu entender afirmo, leva-me a assegurar que estamos na presença de um mau ano agrícola. A chuva não nos tem visitado, os ribeiros não correram, as nascentes não cresceram e os rios não engrossaram. Por outro lado o sol para além de ser frequente em certos picos tornou-se tórrido atingindo-nos com temperaturas muito pouco conhecidas.
Para minorar toda esta desgraça, ainda vão valendo algumas reservas de água que ainda restam de anos anteriores, mas também se sabe que parte dela já cativada para o consumo doméstico, que nas grandes cidades também atinge consumos com registos bastante elevados.
Portugal situa-se numa zona do Globo em que o sol é mais frequente do que a água, logo esta costuma pecar por escassez, enquanto que o sol vai quase sempre aparecendo em excesso. Para combater esta realidade têm-se construído infra-estruturas para conter este líquido de que tanto se precisa, mas o que não deixa de ser verdade é que as áreas de regadio tiveram um aumento bastante elevado a par do consumo doméstico. Apenas a produção de energia liberta a mesma quantidade de água, com que fez accionar as turbinas.
Como em tudo na vida os excessos prejudicam, aqui estou a falar do sol de que momento foi o que mais se fez sentir. No caso da água, o excesso é um pouco mais controlado na área agrícola, muito embora tenha que se dizer que nas áreas citadinas muitas vezes causa danos com valores muito elevados.
Tudo o que a natureza cria, precisa de água e sol, se bem que em quantidades diferentes. Não podemos comparar o centeio montanhês com o arroz desenvolvido em terrenos alagadiços.
Estes dois factores, em conjunto equilibrado, desenvolvem com muito bom resultado as forragens, que muito contribuem para a vertente agro-pecuária de grande importância na nossa dieta alimentar.
De tudo isto que eu vos digo, bem explorado e explicado dava pano para mangas. De minha parte aqui apresento uma brave resenha em que eu me baseio para vos dizer que dois mil e vinte e dois vai ser um mau ano agrícola. Por mais maquinaria que haja nada se pode impor ao clima.
E por aqui fico. Voltarei numa data importante, em quinze de Setembro, dia internacional da democracia.
E até lá? Saúde da boa para todos nós.