São muitas as vezes em que aplicamos o sentido figurado para nos referirmos a qualquer assunto que em nossa análise tem a respetiva classificação.

Se por acaso acontece na nossa maneira de pensar, até sublimamos o tema, se por acaso vem ao contrário fazemos com que essa imagem seja denegrida, pois por muito bem que seja edificada, achamos sempre que é contra os nossos princípios e a nossa maneira de viver.
Estou-me a referir à coligação partidária, que trouxe até final, a legislatura que agora termina, em resultado das eleições de seis de outubro.
Sempre aconteceu na nossa democracia, desde que um partido político não alcançasse a maioria absoluta fazia os possíveis para fazer uma coligação para lhe garantir a maioria parlamentar. Houve casos de governo sem o apoio da dita maioria parlamentar, mas não foram longe, pois acabaram por cair quando as divergências não tinham solução. As eleições sucediam-se e muito do que havia para fazer ficava pelo caminho.
Chegou-se ao ponto de não ser a coligação mais votada, que por acaso até era pré-eleitoral de não conseguir governar, dado que os bancos divergentes no hemiciclo eram mais do que aqueles que lhes servia de suporte. Desta impossibilidade resultou uma coligação que envolveu uma outra coligação que tinha o número suficiente de deputados, tripartidária e com algumas diferenças nas suas próprias orientações políticas. Todos se colocavam na ala esquerda do parlamento, sendo que dois deles não queriam nada com a gerência do governo, que ficava a cargo do mais votado partido desse trio de ataque e que por sinal tinha sido o segundo nas urnas. Os outros dois apenas eram aliados na casa da democracia.
Como esta composição política nunca tinha acontecido, o país ficou perplexo como o partido mais votado fica na oposição e também não era muito crível que a coligação tripartidária de esquerda desse conta do recado.
Tudo isto fez com que esta composição fosse designada por “geringonça” que mais não é do que uma engenhoca que apenas dá para remediar uma pequena avaria e nunca para funcionar em pleno.
Ao que me é dado saber, o padrinho da “geringonça” foi um político cá das nossas bandas, que já fez de tudo. De “feirante” a vice-primeiro ministro já deitou a “faladura”. Só que serviu sempre de muleta a outros partidos, que por sinal era sempre um e o mesmo.
Ora este senhor que até deixou marca no seu partido, onde foram acrescentadas as suas iniciais, no último governo de que fez parte, esqueceu-se que também “geringonçou” numa ocasião em que o irreversível apenas durou poucas horas. Sabia que sem a sua estaca o governo ia ao fundo, logo se serviu desta artimanha para garantir protagonismo e proventos.
Estamos a falar de um político que não tem retrovisor, que não se lembra do que fez e que também tem telhados de vidro, pois doutro modo teria outro comportamento.
Pelo que deixo dito, a palavra “geringonça” está a ganhar outra postura no nosso vocabulário, pelo que até já se tenta saber como é a composição de “geringonça” que se vai seguir para suportar o próximo governo a tomar posse. Também ficou provado que a que vai sair de cena também desempenhou o seu papel dentro da razoabilidade, pois se assim não fosse as urnas falavam doutro modo. Esperamos o melhor e mesmo na esperança de que a melhoria não abrande o ritmo, para que Portugal possa perder o respeito pela Geografia e deixe de estar sempre na cauda da Europa.
Nunca pensei colocar este tema em comum, no entanto como grande parte dos portugueses têm a memória curta, tenho que lhes avivar a memória, pois “o vale tudo” de que muitos falam, se metermos a mão na consciência às vezes também lá temos o nosso quinhão. E por aqui vos deixo, até ao último que chega antes do primeiro.