Exmo. Senhor Director do jornal “A Guarda”


A desertificação do interior é uma realidade que se tem desenvolvido desde a década de 60 do século XX. A origem desta situação radica principalmente em dois fatores: a incapacidade da agricultura de subsistência dar resposta às necessidades dos jovens, e a atração pela emigração, quer para as principais cidades nacionais quer para os países do norte e centro da Europa, especialmente para França.
Esta desertificação provocou a perda de mais de metade da sua população entre 1950 e hoje. A maioria das aldeias perdeu mais de ¾ dos seus habitantes. Mas, o que é mais grave, é que os habitantes residentes estão, maioritariamente, com mais de 60 anos, o que quer dizer que mais de metade do país tornar-se-á irrelevante a curto/médio prazo.
Esta situação tem de ser revertida e para o efeito terá que ser debatida pelo país. Caso nada se faça, a curto/médio prazo, não haverá quem a discuta por não haver residentes no interior do país capazes de o fazer.
Para dar resposta a tão grave problema há que ver o assunto sobre os diversos ângulos: político e administrativo; hidrológico, agrícola, silvícola, pastorícia, ecológico e turístico.
No aspeto político administrativo: há que implementar as regiões administrativas consignadas na Constituição da República, faltando apenas a sua implementação, considerando os interesses específicos das regiões a formar.
No aspeto agrícola/silvícola: o aproveitamento hidrológico para rega, o emparcelamento cooperativo que permita a exploração da terra com uma dimensão capaz de a tornar rentável e de produção de qualidade. A lei permite o emparcelamento e cooperação entre produtores – dec- lei 336/89, e outra legislação. A aplicação da lei é da competência das assembleias municipais e direções regionais de agricultura. A criação de rebanhos cooperativos. A defesa do valor intrínseco dos produtos com a denominação de origem. A exploração florestal cooperativa. A dinamização das associações de caça e pesca desportiva. O apoio ao desenvolvimento do turismo rural.
Para dinamizar estes processos teriam de ser criados organismos nas câmaras municipais e juntas de freguesia capazes de debater estes e outros problemas e os levassem à prática em conjunto com as populações.
Para tudo isto continua a haver apoios da União Europeia que é preciso aproveitar antes que acabem.
Sei que tudo isto pode trazer muito debate e muitas dificuldades mas não serão estas as formas de alterar o futuro dos nossos filhos e do país?
19 de Abril de 2016
Mário Pires Miguel (Reboleira)