Estamos na altura de, aqui pelas nossas bandas, ver chegar a castanha.

Esperamos poder degustar a longal e a martainha que são as que mais se dão aqui pelas nossas terras. Como gosto de ambas não vos sei dizer quais são as melhores. Muito embora tenha a residência na zona onde nasci, que é um concelho que tem serra e vale, tive uma criação mais ribeirinha onde os castanheiros devido à altitude dão lugar às oliveiras. È este o motivo por que sei pouco da variedade, tanto da Árvore como do fruto.
Nos primeiros dias de outubro, nós qui na zona da Guarda, costumamos dizer e ouvir, pelo São Francisco, castanha no cisco. Não estamos longe, pois esse Santo é festejado a quatro de outubro, e na cidade mais alta com uma feira anual de grandes tradições. É evidente que se não houver alterações climáticas que façam retardar o calendário produtivo, a castanha estará presente, para se saborear assada ou cosida.
Nalgumas partes do país acompanha muito bem com a água-pé, mas por aqui que já as noites arrefecem e as manhas se mantêm frescas damos lugar à gulosa jeropiga, que atrás de um cálice se pede sempre outro. Isto faz com que os magustos se tornem muito mais alegres e desinibidos para dar azo à folia, cujo espaço tem uma duração de cerca de mês e meio, dado que acaba para lá do São Martinho.
Pelo que deixo dito até aqui, temos a plena consciência de que estamos a falar de que em tudo se relaciona com o outono, pelo menos da colheita à distribuição, já que o consumo devido às novas técnicas de conservação, pode ser prolongado por mais tempo, podendo mesmo dar a volta ao ano. O que quer dizer que as velhas duram até vir as novas. Isto confirma-se em centros turísticos e nos estádios de futebol, onde os cónicos cartuchos de papel embrulham as quentes e boas e por bom preço, já pelos dias maiores do ano seguinte.
Mas a castanha assada, que me faz escrever estas letras acontece no verão de este ano, de dois mil e dezanove, para que se não duvide e com castanha nova, acabadinha de colher.
Foi no último domingo deste verão que acabou, que coincidiu com o seu derradeiro dia quando o calendário marcava o dia vinte e dois do mês do equinócio do outono.
Um grupo de amigos que faz um passeio anual pelo país, este ano resolveu almoçar em Braga, comer do bacalhau que por ali tem fama e seguir para o Gerês. Por aqui e por ali iam-se esvaziando umas malgas de vinho verde, que por ali é mais corriqueiro como o nosso caldo verde.
Na visita aos locais mais emblemáticos e de maior culto, não nos podia escapar uma visita à Basílica de São Bento da Porta Aberta, onde se vende de tudo que possa vir a servir de lembrança, um dia mais tarde, para recordarmos aquele santuário da natureza.
Ali apareceram como novidade os assadores de castanhas a venderem por bom preço e continuadamente. Olhei para a castanha ainda crua, não era de encher o olho, mas também não é de admirar, pois toda a fruta temporã é mais escassa nas suas medidas.
Vim depois a refletir sobre a produção da castanha da minha região: colhe-se e vende-se. O seu mercado fica por aqui. Ou pouco mais passa, por que uma ou outra aldeia ainda anima em festivais, com pouca gente, pois será difícil juntar multidões onde o despovoamento é grande. Aqui falo na restauração que podia aproveitar a nossa castanha para servir de entradas, pois estou convencido que seria muito mais apetecível do que os pastéis de bacalhau ou os rissóis, por se tratar de um produto endógeno, podendo evidentemente ser molhadas com a nossa jeropiga, que por sinal eu nunca encontrei quem não goste desta bebida espirituosa.
Bastaria este pequeno chamariz para dar vida à nossa culinária, pois comparado com as azeitonas que por todo lado encontramos, não há semelhança possível.
Gostaria que alguém colocasse esta minha ideia em prática… só para ver o efeito!