A campanha eleitoralista

Estamos em plena campanha eleitoral para as autarquias. São aquelas que a esmagadora maioria do nosso povo considera as mais importantes, pois quem aqui vive pela província conhece quem se apresenta como candidato e as referências que tem, bem como o seu currículo.Aqui aparecem candidatos com duas versões distintas, uns são os que se querem manter em exercício, mostrando a obra feita, outros apelam à mudança, dando de barato tudo o que foi feito, havendo sempre uma outra visão para o bem-estar das pessoas que têm em seu poder o que mais é cativado, o voto.Como vivemos em democracia, que para a grande maioria é considerado o melhor dos regimes de governação, para outros nem tanto, é considerado o menos mau. Seja qual for a análise, esta forma de governar é sempre a que liberdade de expressão e escolha, desde que a mesma não colida com os direitos de outrem, leva ao poder aqueles que que as urnas decidiram.Por outro lado, também é permissível a vícios onde por vezes a crítica entra no insulto. Ora se a crítica é uma das armas da democracia, o insulto, se bem que muito camuflado, já não veste a roupagem democrática de que todos gostamos de fazer uso.É aqui que mora o desaguisado de todos os que aparecem como candidatos ao poder local. Criando e inovando a sua maneira de agir, acabam sempre numa linguagem um tanto agressiva visando o rival que levanta uma bandeira de cor diferente.Os “cabecilhas”, designação por que se conhecem os que encabeçam as listas, estruturam os seus discursos de modo a que sejam bem aceites pelos apoiantes, alguns do papel de Judas, que com o passar dos dias vão embebedando das hostes mais fanáticas e que em espaços onde por coincidência as candidaturas se cruzam, se semeiam piropos para depois num curtíssimo espaço se colherem cenas de violência.Neste esgrimir sobre o poder autárquico, por norma entende-se que quem se recandidata parte com vantagem sobre os seus adversários, pois foi acumulando experiência e tem a máquina montada sobre o exercício da função.Acontece que nem sempre isto se torna uma regra de ouro, as promessas que não foram prometidas em anteriores eleições e alguns desgostos provocados a anteriores apoiantes, por vezes geram uma avalanche de ressabiados que acabam por vingar o seu melindre no voto secreto.Por vezes também acontece que a distribuição do bem não aconteceu de forma parcimoniosa e equitativa o que também gerou certo descontentamento a muitos, que mesmo sem a razão de seu lado, se julgam injustiçados.Também há aqueles candidatos cuja aspiração é mais reduzida, apenas vão a jogo no sentido de se tornarem muleta de quem possa vir a precisar.Nos programas eleitorais que as candidaturas apresentam, também tem que haver evolução. Tempos houve em que fazer um campo de futebol numa aldeia era um melhoramento emblemático, em que bastava a terraplanagem, umas balizas de ferro e uns balneários, hoje caíram em desuso por falta de gente capaz de formar uma equipa. Mais tarde optou-se por recintos de menor dimensão para o futebol de cinco, que também deixaram de ser palco por falta de artistas. Os parques de merendas também não tiveram a ocupação desejada. Chegamos aos espaço Internet, que cada vez estão a ter menos utilidade devido à banalização do computador.Nos dias de hoje estão na moda os percursos pedonais, passadiços, praias fluviais, roteiros pedonais e a divulgação da gastronomia regional, no propósito de alimentar o turismo. Aposta-se também na criação de postos de trabalho em empresas que acabam por se instalar, só que a formação exigida e a mobilidade existente acabam por na maior parte ser ocupados por pessoal que não votou a quem se esforçou na criação desse polo de produção. Agora de uma coisa muitos esperam, é das comezainas com que os candidatos recebem as caravanas durante a campanha. Esta situação até se torna proveitosa para uns quantos, pois na noite dos resultados, vão se juntar aos vencedores onde quer que eles estejam.Tudo isto é eleitoralismo e faz parte do fenómeno que aqui foquei. Aqui voltarei depois de São Miguel fechar as asas. Para vós, aquele abraço!