Em boa hora, a União Europeia instituiu as designadas Jornadas Europeias do Património, a realizar no mês de setembro, e encorajou os países a promover temas que pusessem em valor aquilo que os nossos antepassados nos legaram.


Este ano, Bruxelas escolheu o tema a ARTE NOVA, cuja criação em muito se deve a este país onde houve uma plêiade de artistas que criaram e inovaram neste domínio, um dos quais e talvez o mais importante e o mais conhecido é, sem dúvida, Victor Horta.
O nome de “Arte Nova” surgiu por acaso. Um senhor, designado Siegfried Bring, tinha aberto, em 1890, uma galeria em Paris com o nome de “Galerie Art Nouveau”, e expusera pela primeira vez mobiliário das “artes aplicadas”, como se dizia nessa altura, o que era totalmente inovador e começou a chamar-lhe “arte nova”. Muitos belgas começaram a expor nessa galeria, incidindo a sua criação não num estilo neogótico ou neoclássico, mas numa arte surpreendente e estranha, difícil de ter um nome. Na Alemanha, começou por ser designada Jugendstil, literalmente, estilo jovem, ou por “estilo Van de Velde” por ter sido este belga que ali a deu a conhecer. Foi também o belga Edmond Picard que utilizou pela primeira vez a designação de “Art Nouveau”, Arte Nova, em 1884 e assim ficou.
A Arte Nova é um movimento artístico que surgiu no final do século XIX e marcou a transição entre o estilo histórico e o modernismo. Caracteriza-se pela utilização de formas orgânicas, curvas elegantes, motivos florais e cores vivas. A Arte Nova influenciou a arquitetura, as artes decorativas, a pintura, a escultura, artes gráficas e a moda.
Em 1900, já se tinha espalhado por toda a Europa, criando uma grande diversidade de estilos através da hibridação com as tradições populares de cada país.
Na Bélgica, a Arte Nova floresceu graças ao arquiteto Victor Horta, considerado um dos pioneiros do movimento. Concebeu muitos edifícios emblemáticos em Bruxelas, cujos principais são: a Maison du Peuple, o Palais des Beaux-Arts, o atual Museu Horta — sua casa de habitação e atelier, Hôtel Solvay, Maison Autrique, Hôtel Tassel, Hôtel Max Allet, Centre Belge de la Bande Déssinée, Hôtel Van Eetevelde.
A sua obra caracteriza-se pela riqueza dos materiais utilizados, pela fluidez dos espaços, pela luminosidade dos interiores e pelo trabalho estilizado em ferro. Outros arquitetos belgas também contribuíram para o desenvolvimento da Arte Nova, como Paul Hankar, Henry Van de Velde e Gustave Serrurier-Bovy.
Em Portugal, a Arte Nova foi introduzida por artistas que tinham viajado ou estudado na Europa, nomeadamente em França e na Bélgica. Foi aplicada principalmente nas fachadas dos edifícios, decoradas com cerâmicas, vitrais, esculturas e varandas de ferro forjado. Alguns dos exemplos mais notáveis da Arte Nova no Porta são: o Café Majestic, a Ourivesaria Cunha, a Livraria Lello e Irmão, os imóveis na Rua do Passeio Alegre, a Estação de São Bento e outros.
Em Aveiro podemos citar: a Casa Major Pessoa, o Museu da República, o Edifício da Casa dos Ovos Moles, o Edifício da residência do Arquiteto Silva Rocha.
Em Lisboa: a Casa Malhoa, a Tabacaria do Mónaco, o Edifício da Ordem dos Engenheiros, Edifícios na Avenida da República, nº 89, no nº 87 e no nº 23.
Em Braga: o Teatro Circo.
Em Coimbra: o Café Santa Cruz.
A Arte Nova testemunha a criatividade e a diversidade da expressão artística no final do século XIX e início do século XX. Reflete também as aspirações sociais, culturais e políticas de uma época marcada pelo progresso científico, pela revolução industrial e pelos movimentos nacionalistas. A Arte Nova é, por conseguinte, um património a preservar e a divulgar.