As noites de inverno, por serem as maiores e as mais frias, não deixam de nos dar uma maravilha,

que no meu entender aprecio. O breu da noite permite que a luminosidade artificial dê muito mais propaganda e seja muito mais visível a tudo o que se quer evidenciar. Estou a falar das ornamentações natalícias, que embora este ano estejam um pouco afastadas do seu melhor, não deixam de nos alegrar no que concerne à quadra festiva em que vivemos.Preparamo-nos para festejar o pior Natal dos últimos anos, no que concerne à saúde e à economia, todavia temos que o viver e festejar consoante a vida nos vai deixando mediante as condições de saúde e económicas.Perante estas duas crises temos que a saber controlar e passar o Natal dentro da melhor maneira que o destino nos pode propor, pois estou a falar de bonomia, saúde, alegria e culinária.A bonomia é para mim o ponto mais interessante, pois a generosidade entre os humanos dá vigor a que a humanidade ganhe mais força entre si e o convívio mundial seja mais clemente, independentemente das etnias que constituem o nosso planeta. Pois somos todos iguais, não vale a pena deixarmo-nos embrulhar por aqueles senhores que se julgam donos do mundo e que nos colocam a guerrear entre nós.A saúde, é um bem que não nos pode fugir, pois além de nos molestar a nós, faz com que aqueles que nos estimam também sofram a sua parte, pois como diz o nosso povo ninguém gosta de ver um amigo em maus lençóis.A alegria vem sobretudo das crianças, pois são elas que pela sua ingenuidade nos fazem rir com a verdade de que todos gostamos de ouvir, perante o prazer do que recebem, sem olharem ao seu valor monetário.Para mim é a ementa deste evento que mais prazer me dá. Aprecio o jantar do dia de São Delfim, que mais não é do que do que a conhecida ceia de Natal, onde saboreio a nossa couve penca, tanto nas sopas tradicionais, como acompanhadas com batatas e bacalhau bem regadinhas com azeite. Também é costume comer um frito para substituir o pão.No dia de Natal propriamente dito, como só um prato, bem composto e fico por aí. Tiro partido deste manjar, pois só o como uma vez no ano e que é neste dia. Estou a falar da “roupa velha”, a tal iguaria reciclada que o garfo melhor me pode servir.Eu estou a falar do que gosto e por onde fico, pois pela noite a dentro muito mais alegria transborda nomeadamente em torno dos madeiros e no calor que a missa do galo transmite. A idade já não me permite abusar das noites do cair da folha, por isso fico recolhido por vezes com a companhia do televisor.Também me afasto de outras diversões, pois muitas pessoas em movimento podem involuntariamente colidir e por norma, são sempre os mais fracos que ficam com a pior herança, que são as mazelas que tanto custam a sanar.Pouco se poderá pedir neste Natal, pois não vejo que o planeta em que vivemos se torne próspero ao ponto daquilo a que o Pai-natal nos tem habituado desde a segunda metade do século XX. Podemos até dizer que em certos casos havia excessos que acabavam por desvalorizar o amor que estava na base da dádiva. Tendo isto como certo podemo-nos virar para o Deus-Menino, que embora sendo mais poupadinho pode-nos dar mais sossego evitando assim qualquer anomalia que nos possa surgir de imprevisto.Espero assim um Natal sem folia, mas com a alegria de viver onde não falte a esperança de um Mundo melhor. Espero também que não nos falte a Fé, pois é com ela que o homem move as montanhas em conquista daquilo que necessita para viver. É este o quadro que eu pinto visando esta quadra festiva que eu gostaria de ter. Talvez não alcance o meu desejo, mas fico sempre a sonhar com o melhor que me pode acontecer.Por aqui fico, uma feliz consoada para todos.