Prometi voltar, na última vez que escrevi, depois do São Martinho, com castanhas e vinho.

Muito embora reconheça que não tenha pensado bem, pois dar uma volta por todos vós, torna numa impossibilidade desmedida, e que não pensei sequer quando a prometi.
Todavia estamos numa época, muito alegre, sem que muitas vezes o clima ajude, onde a alegria se faz sentir, ajudada pelo São Martinho que se tornou famoso como militar e bispo de Tours, monumental cidade francesa.
Por todo o Portugal se festeja esta quadra. As castanhas estão sempre presentes, muito embora a bebida possa variar, podendo ser do vinho à água-pé, que é uma bebida mais refrescante para as regiões, mais quentes, ou até à jeropiga que é uma bebida generosa, feita de um vinho fortificado que muito se adapta às regiões mais frias.
Vou agora falar de mim, que quem não vive de perto comigo certamente vai ter uma surpresa. Sou talqualmente como Cristo, tenho o calvário da minha vida, que sem ter nenhum cireneu, me vejo aflito para levar a cruz. Sou um doente, que me obriga a vinte deslocações anuais a Coimbra, para que em dois hospitais tenha o devido acompanhamento. Sou utente de um lar de apoio à terceira idade, para acompanhamento da minha esposa, que nem sequer me conhece e carece de todas as dependências, bem como de minha mãe com noventa e e um anos de idade.
Com uma mobilidade um pouco reduzida tento as minhas distrações, pois apesar de sentir o peso da minha vida, eu não deixo de pensar que nada sofro enquanto me estou a rir, muito bem eu considere, que as doenças que eu tenho não se refletem nas dores, mas sim nos meios tecnológicos a que sou submetido.
Serve isto tudo para vos dizer, que o meu maior investimento é na alegria de viver. Escrevo de um modo apimentado e sou bem-humorado no diálogo, logo o rir permite com que eu faça esquecer todos os revezes que me atormentam. É evidente que passo muitos espaços na situação de sisudo, mas tento debelá-los com alguém que com o seu saber esteja mais à frente do que eu.
Para isso tenho encontrado amizades que, sem qualquer interesse de qualquer lado, me dão ânimo, valorizando o que sei e o que faço, que em alguma área me elevam o ego e fazem de mim um pequeno astro na sabedoria popular, com aquilo que vou ouvindo daqui e dali.
Há uma outra particularidade que me envaidece, é que tudo o que sei e aprendo com o passar do tempo, eu faço os possíveis por transmitir esses dados aos que me são mais próximos e que esperam de mim algo mais.
Tenho tentado e conseguido ligar pormenores académicos aos da tarimba que são aqueles que me são mais familiares. De modo a que tudo dê uma mescla, que resulte na tal alegria de viver, de que eu vos falo e que tem por base o conhecimento à minha maneira.
Tudo isto tem carecido de um certo investimento que tem valido a pena. Tento chegar a conhecimentos, que nunca pensei obter, no mundo das letras, das artes, da música e da televisão, mas também concluí que a sabedoria para se alcançar tem de ter algo em seu apoio, que mais não é do que conviver com quem nos pode transmitir o que sabe dando-lhe em troca o que sabemos.
Podem certamente perguntar-me, onde está o investimento? Nas deslocações, em que, a maioria das vezes sou compensado, e nas portagens das auto estradas que nunca viram a cultura.
Depois de tudo o que vos disse, digo-vos que durmo só, o que me permite ver o mundo sossegado, sem atropelos e que possa vingar, tudo o que penso, acreditar que estou no caminho certo e de que vale a pena investir na alegria de viver, pois eu estou certo do que rir faz muito mais bem do que chorar, a menos do que as lágrimas cheguem de alegria, como muitas vezes acontece.
Estou certo de que todos encontraremos muitos dissabores na vida, mas vale a pena recorrer ás habilidades para que se consiga a alegria de viver na viagem do mundo dos vivos.