Igreja

1. Preparação

1. Preparação

Imaculada Conceição

1. Preparação
Procuro um lugar tranquilo e agradável que me ajude à concentração.
Encontro uma boa posição corporal.
Silencio o meu interior. Respiro lenta e suavemente.
Tomo consciência da presença de Deus.
- Invoco o Espírito Santo para que seja luz e guia na minha meditação e contemplação.

2. Leitura
Releio pausadamente a passagem evangélica (Mt 24, 37-44).
- Procuro entender o texto, percebendo o que ele transmite, através dos elementos presentes (lugar, personagens, gestos e ditos) como se fizesse parte do episódio.
- Procuro entender a mensagem e significado, hoje para mim. O que me diz, o que me faz sentir?
- Sublinho o importante; fixo o essencial. Esta Palavra é-me dirigida.

3. Meditação e Oração com Deus
Jesus não condena o meu quotidiano mas alerta-me para o perigo de viver atarefado sem nada aprofundar, tornando o coração insensível e fechado. Existir “sem dar por nada”, sem tomar o sentido dos acontecimentos nem valorizar os relacionamentos é desperdiçar a vida. Por isso, Jesus apela à vigilância, a viver desperto e atento. O tempo do Advento é oportunidade para o encontro: comigo, com os outros e com Deus... que continuamente vem até mim.
Senhor, vivo tantas vezes a correr que me sinto cansado no final de cada dia. Cheio de tantas inquietações e preocupações, como poderei dar-Te espaço em mim? O pior é a sensação de nada ter semeado ou colhido que dê sentido à existência, minha e dos outros.
Pedes-me que esteja vigilante. Não pretendes que o faça por medo mas por amor. Esperas que Te aguarde em cada instante e através de cada pessoa. Atento a cada encontro, a cada ocasião de bem poderei encontrar-Te.
Senhor, ajuda-me a ter um coração disponível, aberto aos outros e a Ti.
Que a minha oração seja mais feita do desejo de Ti do que qualquer outro pedido, por mais legítimo que seja.
Neste Advento que começa, ajeita-me o interior, Senhor, para que Te prepare um caminho até mim. Estarei vigilante para não falhar a tua chegada.
Converso conTigo como um amigo: falo, escuto, peço, louvo, pergunto, silencio.
4. Contemplação
Abandono-me nas tuas mãos, Deus.
Peço-Te que me reveles a tua vontade, o que esperas de mim, qual a resposta que mereces de mim.
Saboreio o teu olhar sobre mim. Peço a graça de Te acolher na minha vida, cada dia.
Confio e agradeço, com palavras minhas.
Contemplo e adoro.
Confiando em Ti, ouso comprometer-me em algo oportuno e alcançável, crescendo na minha relação diária conTigo e com os outros à minha volta.
UM PENSAMENTO - “A coisa mais divina/Que há no mundo/ É viver cada segundo/Como nunca mais”. (Vinícius de Morais)
PROVOCAÇÕES
- Neste Advento, estarei mais atento a Deus ou às compras e outros compromissos pré-natalícios?
- Quando rezo, é Deus que procuro ou os benefícios que espero receber d’Ele?
- A minha fé cristã expressa-se em gestos e palavras de esperança ou de medo?
UM PROPÓSITO - Pedir ao Espírito Santo a graça de ter um coração vigilante.

UMA ORAÇÃO
POEMA
Não serei dos que não dão por nada
Afogados na superfície das coisas,
Naufragados em dilúvios de nadas.
A mim, Senhor, queres-me desperto
De desejo apeado que, desde a noite,
Aguarda a aurora da tua chegada.

Por não saber qual a hora nem o dia
Farei de cada instante um encontro;
Por não lhe reconhecer os traços
Lerei em cada rosto o seu mapa;
Por ocorrer, quando não se espera,
Tornarei o meu coração vigilante.

A cada ano terminamos o tempo litúrgico com a Solenidade de Cristo Rei do Universo. Esta festa é um desafio a perceber o tipo de realeza de Jesus. O povo hebreu, durante séculos, não sentiu necessidade de ter reis. Descendente de povos nómadas, de linha tribal, não tinha esta tradição. Mesmo quando, percebendo a realidade política dos povos vizinhos, via vantagem neste tipo de organização hierárquica, os profetas iam instruindo o povo de que apenas Deus deveria ser o seu rei. Só no tempo de David, como nos é sugerido na primeira leitura, é que as doze tribos de Jacob passaram a ser um grande povo, ao ponto de o reinado de David ter alcançado uma tal grandiosidade que nenhum outro sucessor foi capaz de igualar. Por isso, os hebreus esperavam ansiosamente um outro grande rei que devolvesse o esplendor e o poder de outrora ao pequenino rebanho de Israel. 
 
E assim, durante séculos, em Israel, foi-se desenvolvendo o messianismo. O povo pedia insistentemente a Deus um rei como David. Com as sucessivas invasões de povos guerreiros, muito mais fortes e organizados, o consequente domínio estrangeiro, a perda de autonomia e a dificuldade em viver as suas tradições culturais e religiosas, todos os judeus aguardavam com expectativa e ansiedade a chegada desse grande rei. Quase se tornava uma obsessão. E era alimentada pelos profetas que anunciavam a vinda do Messias. É neste contexto que surge Jesus de Nazaré. A profecia cumpre-se nele, sendo, inclusive, descendente de David por parte de José. Mas desde o início que os contornos da sua vida eram muito diferentes daqueles que os israelitas esperavam do messias. Nasceu pobre numa gruta de Belém, sem os confortos dos palácios e a guarda dos exércitos. Morreu numa cruz como um criminoso, escarnecido e abandonado por todos.
 
Que Messias é este, afinal, e que realeza é a sua? Onde está o seu trono, o seu poder, a sua nobreza, a sua glória? A sua realeza é bem diferente das realezas deste mundo. O seu trono é uma cruz. O seu poder manifesta-se no amor e no perdão que concede até aos seus algozes. A sua nobreza é o serviço, pois Ele veio “para servir” (Mt 20, 28) e dar a vida pela nossa redenção (Ef 1, 7). A sua glória é fazer a vontade do Pai (Jo 6, 39). E a vontade de Deus é que, pela Sua morte e ressurreição, Jesus vença o pecado e a morte, todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (1 Tim 2, 4). Os israelitas estranharam este tipo de realeza. E hoje, provavelmente, continuamos a duvidar dela e a questionarmo-nos sobre Jesus. Como João Baptista ainda perguntamos: “és Tu o que está para vir, ou devemos esperar outro?” (Lc 7, 20).

Senhor Jesus, o mundo continua a ter dificuldade em perceber e aceitar a Tua realeza. Muitos cristãos prefeririam uma realeza que se manifestasse pela força, o poder, a honra e a glória à maneira humana. Mas Tu reinas a partir da cruz, do serviço, do perdão e do silêncio. Faz da tua Igreja reino da paz. E de mim, teu humilde servo, testemunha dessa realeza que se manifestou plenamente no Calvário e na manhã da Páscoa.
Amén.

 

Neste penúltimo domingo do ano litúrgico, ouvimos uma exortação de Jesus que não perde a actualidade: