À medida que se aproxima o fim do Ano Litúrgico, a Palavra de Deus assume o papel de aviso sobre o fim das nossas vidas, e insiste acerca da importância de nos prepararmos para o encontro definitivo com Deus, depois da morte. O melhor modo de nos prepararmos é viver cada dia na fidelidade a Deus e à sua vontade.


    A parábola contada por Jesus, a parábola dos talentos, remete para a nossa responsabilidade no mundo e na Igreja. Tradicionalmente, esta parábola assim é interpretada: O Senhor que confia talentos aos servos representa Jesus; os servos são os seus discípulos, os cristãos; a partida em viagem do senhor é símbolo da partida de Jesus para o Pai, após a sua morte e ressurreição; o longo tempo de ausência do senhor, corresponde ao tempo da Igreja, o nosso tempo; o seu regresso, a vinda do Senhor no fim dos tempos; “vem tomar parte na alegria do teu senhor”, é a alegria do banquete celeste; o castigo ao servo “mau e preguiçoso” simboliza a condenação, neste caso, devida ao pecado de omissão.
    O Senhor Deus distribui talentos por todos os seus filhos. Estes talentos é fácil interpretá-los como símbolo das capacidades e aptidões que cada pessoa, a seu modo, possui. Podemos vê-los também como símbolo dos dons espirituais que S. Paulo descreve na primeira carta aos Coríntios: a ciência, a sabedoria, a fé, dom das curas, de fazer milagres ou discernir os espíritos. Deus não dá a todos os mesmos dons, nem os dá em quantidades iguais. Mas não há nenhum ser humano a quem Deus não tenha dotado com qualidades, nenhum cristão a quem não tenha dado algum dom espiritual, para tudo ser colocado ao serviço do bem dos outros e edificação da sua Igreja.
    Antes de mais nada, precisamos de viver conscientes que tudo recebemos de Deus, sejam bens materiais ou dons espirituais. Tudo em nós é dom, a começar pela vida. Por isso é atitude própria do cristão dar graças ao Pai por tudo o que é e possui.
Além da gratidão a Deus, a outra atitude requerida é a responsabilidade: cada um é responsável pelo modo como usa os talentos que Deus lhe confiou. Usar tudo de modo egoísta, esconder os dons em vez de os colocar ao serviço do próximo, é condenar-se a uma vida triste e sem sentido.
Os dois primeiros servos obtiveram a mesma recompensa, mesmo tendo um recebido cinco talentos e o outro dois, porque ambos foram igualmente responsáveis. Faz lembrar a igual recompensa dada aos trabalhadores da vinha. O importante é cada um fazer o seu melhor, não comparar-se com outros: e isto vale para todas as situações da vida. A alegria de fazer o bem, de fazer da própria existência uma doação constante aos irmãos, não é uma alegria reservada para o Céu, é alegria que se experimenta já aqui, porque fazer o bem faz bem e preenche o coração.
Neste Domingo, encerramos a Semana dos Seminários. Na Diocese da Guarda existem actualmente seis seminaristas. Como cristãos, somos chamados a incentivá-los com a nossa oração e caridade. Rezemos ainda para que se outros receberem o dom da vocação sacerdotal, não o enterrem ou escondam por medo, comodismo ou qualquer outra razão, mas antes o acolham com alegria e o façam crescer e dar fruto numa vida de consagração plena a Deus e aos irmãos.