A parábola do bom samaritano é uma das mais conhecidas.

Exclusiva do Evangelho de Lucas, faz deste evangelista, junto com as parábolas da ovelha, da dracma perdida e do filho pródigo, o evangelista da misericórdia de Deus! Neste texto em concreto, Jesus é interrogado por um doutor da lei sobre o que é necessário “para receber como herança a vida eterna” (Lc 10, 25).  E a partir do diálogo que Jesus tem com ele, aprendemos que, nas questões da fé, é necessário passar da teoria à prática. Aquele homem sabia responder correctamente às perguntas que Jesus lhe fez. Mas Jesus exige mais: “Respondeste bem. Faz isso e viverás” (v. 28); Não basta saber o que a lei diz sobre amar a Deus e ao próximo. E é a propósito disso que Jesus dá o exemplo do bom samaritano que se compadeceu, aproximou e cuidou quem estava ferido. Na prática, é isto que nós, cristãos, fazemos?

Infelizmente, nem sempre as situações de carência parecem obter a melhor ajuda por parte dos cristãos. É verdade que não é possível acabar com a pobreza, o sofrimento e todas as formas de marginalização de um momento para o outro. Mas esta constatação não pode servir de desculpa para que, nós cristãos, continuemos a passar impávidos diante das carências do nosso próximo. Hoje, como o sacerdote ou o levita da parábola, se calhar, continuamos a passar ao lado. E para nos tranquilizarmos dizemos, entre outras, estas desculpas: ‘Não há tempo!’, ‘É ao Governo que compete resolver!’, ‘Talvez as pessoas não queiram mudar’, ‘Os outros que resolvam’. Enquanto assim pensarmos, nos refugiarmos na superficialidade de uma religião que se contenta com ‘o ir à missa’, e fugirmos às responsabilidades concretas da fé, estamos a deixar Jesus caído nas periferias da nossa existência.

Por outro lado, muitas vezes, a Igreja é erradamente acusada de nada fazer. No entanto, continua a ser uma instituição que vive a caridade como praticamente nenhuma outra. Lembremos, apenas a título de exemplo, as palavras corajosas do Papa Francisco acerca do drama dos refugiados, sempre que pede à comunidade internacional que se empenhe na resolução deste problema. Lembremos a primeira visita que fez, precisamente há seis anos, ao visitar Lampedusa para aí rezar pelos que morrem nas águas do Mediterrâneo. Lembremos o acolhimento e acompanhamento de migrantes por parte de dioceses e paróquias de toda a Europa. Lembremos as acções da Cáritas e das Conferências Vicentinas junto dos mais carenciados. Hoje, Jesus precisa da nossa voz para defender a vida, a dignidade, a liberdade. Não basta sabermos o que diz o Evangelho, ou o que um cristão deve fazer. Ele espera, de nós, gestos concretos de amor e verdadeira solidariedade.

Senhor Jesus, são muitos os que continuam a ser abandonados à beira do caminho. Tu esperas de cada cristão um empenho sério, uma dedicação concreta, uma caridade frutuosa, capaz de se compadecer e ajudar o próximo. Ajuda a tua Igreja a ser Mãe solícita e atenta às dificuldades e sofrimentos dos seus filhos.
Amén.