Entre margens da Palavra
0. Preparo-me
Procuro um lugar adequado e uma boa posição corporal. Respiro lenta e suavemente.
Silencio os pensamentos. Tomo consciência da presença de Deus, invocando o Espírito Santo.
 
1. O que diz o texto
- Leio pausadamente Jo 8, 1-11.
- Sublinho e anoto o mais significativo.
Apresentam a Jesus uma mulher adúltera. Querem confrontá-l’O à Lei que a manda apedrejar. Jesus, porém, remete-os para o seu próprio interior antes de julgar os outros.
 
2. O que me diz Deus
- Imagino-me testemunha da cena, dos gestos e palavras. Que experimento?
Enquanto alguns só pensam em condenar, Jesus compromete-se em salvar. Não precisa sequer conferir o arrependimento daquela mulher. Bastou-Lhe sabê-la em apuros. Jesus não confunde o pecador com o pecado. Para Ele, a pessoa merece uma nova oportunidade. Pela misericórdia, abre-lhe um novo caminho, com a exigência de se distanciar do pecado. Jesus desafia-me a olhar para dentro: a raiz do mal e da injustiça está em mim. Busco o perdão de Deus ou condenar os outros? 
 
3. O que digo a Deus
- Partindo do que senti, dirijo-me a Deus, orando (de preferência com palavras minhas).
Senhor, é tão fácil manipular leis e argumentos a favor daquilo que quero. Assim se fundamentam guerras e injustiças com verdades ajeitadas. Reconheço, também, a forma libertina com que projeto nos outros as minhas fraquezas, meus desejos e fracassos. É-me mais cómodo julgá-los do que confrontar-me com o meu próprio pecado. Condeno para não ser condenado. Peço-Te: liberta-me das pedras que carrego no coração e que tão prontamente atiro aos outros.
Senhor, ensina-me a força do teu perdão. Ele é ponto de partida de uma vida nova. Por meio dele, saio remido, sem relativizar o mal praticado. Ajuda-me a identificar o meu pecado maior, aquele que multiplica e repete humilhações. Com ele, aprenda eu a ser misericordioso com os meus irmãos. Capacita-me para ver bem e agir bem. Como Tu.
 
4. O que a Palavra faz em mim
- Contemplo Deus, saboreando e agradecendo.
Senhor, vês o meu pecado e não desistes de me querer salvo. Quero viver na liberdade que só teu amor permite. Grato, louvo e contemplo.
Inspira-me o que esperas e mereces de mim. Apoiado em Ti, comprometo-me em algo oportuno e alcançável, crescendo na minha relação diária conTigo e com os outros.
 
PROVOCAÇÕES
- Quais são as minhas pedras (ditos, atos, pensamentos…) contra os outros?
- Que pedras “no sapato” (atiradas pelos outros) me impedem de caminhar?
- Quais são os “adultérios” aos meus compromissos?
 
UM PENSAMENTO
“O primeiro olhar de Jesus nunca se dirige para o pecado das pessoas, mas sempre para o sofrimento.” (Johan Baptist Metz)
 
UM DESAFIO
Pedir ao Espírito Santo a graça de não carregar pedras para atirar aos outros.
 
ARQUIVO & PODCAST
 
UMA ORAÇÃO-POEMA
 
De pedra na mão
tantas vezes me apresento.
Da verdade me presumo tutor,
clamando justiça e reclamando
da tua clemência, escandalizado.
Tu, de tudo quanto vozeio,
no pó o escreves, para o vento
da memória o expatriar!
Diante de Ti, só os humildes
têm a pontaria para alvejar
e corar o próprio interior.
De Ti, o gracioso perdão
resgata o futuro por presente.
E, no seio da minha invernia,
vislumbra-se a pueril primavera
que desabrocha resguardada
sem pedra no coração.