0. PreparaçãoProcuro um lugar adequado e uma boa posição corporal.

Respiro lenta e suavemente.Silencio os pensamentos. Tomo consciência da presença de Deus, invocando o Espírito Santo.1. LeituraLeio pausadamente o Evangelho Mt 17,1-9.- Através dos diálogos, gestos, atitudes descritos, alcanço a mensagem. O que me diz, o que me faz sentir? Ilumino esta passagem lendo os versículos que a antecedem (16,21-28) pois ajudam a entender o episódio.- Sublinho o importante; fixo o essencial. Esta Palavra é-me dirigida.2. MeditaçãoO relato da Transfiguração de Jesus sucede ao primeiro anúncio da paixão e às exigências do seu seguimento. A incompreensão de Pedro (e certamente dos restantes discípulos) é reveladora da perturbação e receio gerados pelas palavras do Mestre. Ao manifestar a sua glória diante de três dos apóstolos, Jesus como que antecipa a sua ressurreição, serenando os ânimos. A morte afinal, não terá a última palavra. Cristo apela à minha confiança n’Ele.3. Oração com DeusSenhor, recordo todas as ocasiões de “transfiguração”: retiros, momentos de oração, graças e intuições concedidas… Como Pedro, senti o desejo de montar uma tenda e eternizar esses momentos. São experiências que marcaram e continuam a iluminar a memória e a aquecer o coração. Por isso, lembro e agradeço.Mas, alertas-me que é necessário descer do “monte da luz” e regressar ao meu quotidiano, pois é aí que testemunho a minha fidelidade a Ti e meus irmãos me esperam. Afinal, a tua transfiguração teve como objetivo reavivar nos discípulos a confiança, pois o temor da tua cruz revelou a fragilidade da sua fé. Quiseste mostrar-lhes que a tua glória é maior que a dor e a morte. Estas não são excluídas, mas encontram em Ti resposta.Tal como numa caminhada, nem sempre vejo a meta. Mas tê-la identificada e acreditar nela dá força aos meus passos. Tu és o meu caminho e minha meta. Contemplando-Te, regresso ao meu quotidiano mais confiante, grato, generoso e preparado para a luta.No final, na hora de descer do monte, não será preciso dizer nada. Estará à vista que me habitas e que meus gestos e atitudes falarão de Ti.4. ContemplaçãoSenhor, na quaresma da minha vida, estás presente. Louvo-Te e abandono-me nas tuas mãos. Agradeço todos os momentos em que Te transfiguras, fortalecendo a minha fé. ConTigo, avanço, confiante. Inspira-me o que esperas e mereces de mim. Contemplo e adoro.Apoiado em Ti, ouso comprometer-me em algo oportuno e alcançável, crescendo na minha relação diária conTigo e com os outros.
Um pensamento - “Nunca em mim se verá tamanha dor / que o amor não converta em mais amor”. (Camões)
Provocações - Sonho com uma Páscoa sem cruz?- O que mais alimenta a minha “fé”: a relação com Deus ou a expetativa do “prémio” que Ele promete?- Estou verdadeiramente à escuta da Palavra de Deus? Deixo-me guiar por ela?
Um propósito - Pedir ao Espírito Santo a graça de me deixar transformar por Cristo, escutando a sua Palavra.
Uma oração poemaTransmitida a Palavra TuaTranstornado fico, de medo,Tentado a transviar o rumo,Transgredindo a esperança.E Tu, transigente, convidasA transpor a desconfiançaTransferindo o sentimentoNuma transfusão de amor.Transplantaste meu chãoNo monte da transcendência.Aí, transpira uma quietude,Una, translúcida, transversalNa tua transparente glória.E eu, a transbordar alegria,Transladado de mim mesmo.Mas é preciso transitar, descerAo velho, transitório quotidianoMas transportando algo novo.Como poderei transcrever?Já sei! Transformado por Ti,Em mim estás, TRANSFIGURADO.