Entre margens da Palavra

0. Preparo-me
Procuro um lugar adequado e uma boa posição corporal. Respiro lenta e suavemente.
Silencio os pensamentos. Tomo consciência da presença de Deus, invocando o Espírito Santo.

1. O que diz o texto
- Leio pausadamente Lc 16, 19-31.
- Sublinho e anoto o mais significativo.
É a parábola do rico e do pobre Lázaro. Com a morte de ambos, o primeiro acaba penalizado pela indiferença em relação ao segundo. Jesus mostra bem de que lado está.

2. O que me diz Deus
- Que me faz pensar e sentir esta parábola de Jesus?
A parábola não tem como fim descrever o céu e o inferno, mas condenar a indiferença daqueles que vivem alheados dos outros. O rico não tem nome: sua vida, vazia de amor solidário, torna-se inútil e retira-lhe identidade. O pobre nada possui. Porém, caso único nas parábolas, tem nome cujo significado (“Deus ajuda”) revela esperança. O meu pecado não é ter bens, mas retê-los, esquecido de quem está junto ao “portão” do meu mundo. Meu cuidado com eles dá-me nome diante deles e de Deus.

3. O que digo a Deus
- Partindo do que senti, dirijo-me a Deus, orando (de preferência com palavras minhas).
Senhor, que nome me dás? Que nome mereço diante de Ti? Não sou o que tenho, mas o que dou: meu tempo e dedicação, partilhando o melhor de mim, ou atendendo à necessidade daquele que está ao meu lado. Especialmente quem, habitualmente, deixo do lado de lá dos meus “portões”. Seja o amor a nomear-me!
Sou também a forma como vejo: cobiço e invejo, consumo e guardo… ou compadeço-me e aproximo-me, respeito e desejo cuidar. O que sinto interiormente leva ao que decido fazer. Assim é meu céu ou inferno: nutrindo em mim amor solidário ou ambição solitária. Purifica meu olhar e fecunda meu coração.
Senhor, cura-me do egoísmo e do pecado maior da insensibilidade e indiferença. Abre meu portão para que teu Reino seja servido à minha mesa, em favor de todos.

4. O que a Palavra faz em mim
- Contemplo Deus, saboreando e agradecendo.
Senhor, sou alguém para Ti, não pelos meus méritos, mas pelo teu amor. Nele me repouso, alimento e reforço. Assim Te louvo e contemplo.
Inspira-me o que esperas e mereces de mim. Apoiado em Ti, comprometo-me em algo oportuno e alcançável, crescendo na minha relação diária conTigo e com os outros.

PROVOCAÇÕES
- Os pobres têm nome para mim?
- Conheço o nome daqueles com quem trabalho? Nomeio-os, saudando-os?
- Sinto alegria interior ao pronunciar o nome de Deus?
- Que nome (além daquele que possuo) me dá Deus?

UM PENSAMENTO
“Ao adornar o templo, procura não desprezar o irmão necessitado, porque este templo, que ele é, é muito mais importante que o outro.” (São João Crisóstomo)

UM DESAFIO
Pedir ao Espírito Santo a graça de ver os “Lázaros” que estão à minha porta.

ARQUIVO & PODCAST
https://seminariointerdiocesanosj.pt

UMA ORAÇÃO-POEMA

Pobre rico, o homem sem nome
que só existe (não vive)
pelo que come e tem.
Julga possuir o que tomou posse
do expropriado e cego coração,
moribundo, na periferia do ser.

Rico pobre, cuja miséria
pressinto com rosto múltiplo,
mas de nome e braços abertos.
Tem fome de tudo: de pão,
de olhar, palavras e abraços
que lhe devolvam vida erguida.

Entre ambos, um abismo
que a insensibilidade cavou
deixando Deus, junto do pobre.