Entre margens da Palavra


0. Preparo-meProcuro um lugar adequado e uma boa posição corporal. Respiro lenta e suavemente.Silencio os pensamentos. Tomo consciência da presença de Deus, invocando o Espírito Santo.
1. O que diz o texto- Leio pausadamente Mc 10, 2-16.- Sublinho e anoto o mais significativo.Questionado sobre o divórcio, Jesus remete para o projeto original de Deus. Depois, instrói os discípulos sobre as exigências do amor e indica a criança como modelo do Reino.
2. O que me diz Deus- Escuto as palavras de Jesus. Que sinto? “No início” Deus quis o homem e a mulher como seus colaboradores. Pelo amor, somos continuadores da sua obra. O matrimónio, como sacramento, mais que um direito é uma missão: deixar de se ter como centro, reservando-o ao outro. Como Cristo, a vida seja dada, no sentir, pensar e agir. É o amor que nos faz existir no outro. Desistir de amar é padecer “esclerose de coração”, é atraiçoar-se. Por isso, Jesus apresenta os “pequeninos” como exemplo porque, para eles, o amor é o bem maior. É-o para mim? E dou-o aos outros?
3. O que digo a Deus- Partindo do que senti, dirijo-me a Deus, orando (de preferência com palavras minhas).Senhor, também eu sofro de “dureza de coração”. Quantas vezes me fecho sobre mim, por reação ou prevenção. Por medo, afasto-me dos outros, deixando de confiar, de construir juntos. Por me sentir ferido, golpeio, repudio. Mas sem amor não se vive. A tentação fácil é mendigar o amor, aqui ou acolá, descomprometido ou com coração duplo. Tão longe do teu projeto para mim, para todos, cura-me desses desamores.Não permitas que eu separe o que unes, em mim e nos outros. Tua obra em cada um seja preservada. Nem tampouco deixes que julgue quem não o tenha evitado. Pelo contrário, concede-me compaixão e disponibilidade para acolher e cuidar das suas feridas. Mantém-me vigilante sobre o meu coração. Nele, não transgrida nem adultere o teu sonho. Como criança, acolha eu o teu Reino.
4. O que a Palavra faz em mim- Contemplo Deus, saboreando e agradecendo.Senhor, salvaguarda-me de amar superficialmente. Pelo teu amor por mim, eu Te louvo e agradeço. Com o meu amor, ainda que frágil, contemplo-Te e adoro.Inspira-me o que esperas e mereces de mim. Apoiado em Ti, comprometo-me em algo oportuno e alcançável, crescendo na minha relação diária conTigo e com os outros.
PROVOCAÇÕES- Reservo ao outro o centro do meu coração?- Tenho o amor como missão?- Como olho e acompanho as pessoas divorciadas?
UM PENSAMENTO“Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção.” (Antoine de Saint-Exupéry)
UM DESAFIOPedir ao Espírito Santo a graça de ser um com Deus e com o(s) outro(s).
ARQUIVO & PODCASThttps://seminariointerdiocesanosj.pt
UMA ORAÇÃO-POEMA
Ser um só, conTigocom o outro, a meu lado.Ser uno, comigosem ninguém repudiarsem me adulterarpor vis licitudesque dividem e separam.Reacende-me anteso coração e a vidadentro, soerguidarenovada e indivisa.Saciarei de fomemeu trémulo amorlotando-o de cuidadospois, de tão frágil,precisa unir-sea Ti, no outro.