Ao longo do tempo pascal, escutando em cada Domingo a Palavra de Deus, percebemos como os primeiros discípulos chegaram à fé em Cristo ressuscitado pouco a pouco e não de um momento para o outro. Para eles como para nós, a fé é um caminho que se vai fazendo ao longo da vida.


Apesar de saberem que o sepulcro estava vazio, que o corpo de Jesus não estava lá, e apesar do testemunho das mulheres, não acreditaram que Jesus tinha ressuscitado. Necessitavam ainda de fazer a experiência pessoal do encontro com Jesus vivo. A experiência pessoal de encontro com Jesus é o alicerce da fé dos primeiros discípulos e dos cristãos de todos os tempos, ainda que a palavra e o testemunho dos outros, que acreditaram antes de nós, seja importante e indispensável. Ninguém é testemunha daquilo que ouviu dizer, mas só daquilo que viu e experimentou pessoalmente.
Além da palavra dos outros e da experiência pessoal, aquilo que acreditamos precisa de ser fortalecido e comprovado pela experiência comum, a da comunidade. Não me posso contentar com aquilo em que acredito sozinho, pois posso ser vítima de engano, de ilusão. Só a fé da Igreja, da comunidade de todos os crentes em Jesus Cristo, me dá a garantia de que aquilo que afirmo sobre Jesus é a verdade.
Hoje encontramos muitas pessoas, na Igreja, que julgam que a sua opinião particular sobre Jesus e sobre o que Ele quer para as suas vidas, basta. No início, quando Jesus aparece, os discípulos “julgavam ver um espírito”, diz o evangelho, um fantasma, uma ilusão. Uma fé que não cresce com a Igreja, que não se alimenta do contacto com a Palavra de Deus, da oração e dos sacramentos, permanece infantil.
A imagem dos verdadeiros discípulos de Jesus é mostrada no evangelho de hoje. São aqueles que aparecem reunidos na mesma casa (a casa da Igreja), no primeiro dia da semana (o Domingo), que aí se encontram com Jesus (“apresentou-se no meio deles”), que escutam e compreendem a sua Palavra (“abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras”) e se sentam à mesa (o altar) com Ele, para d’Ele se alimentarem e viverem. Só os discípulos assim descritos no evangelho podem conhecer autenticamente Jesus e ser suas testemunhas credíveis.
A fé é um caminho. Para a maioria de nós este caminho começou no Baptismo ainda em crianças. Fomos dando alguns passos graças à palavra e ao exemplo de outros. Decidimo-nos a continuar neste caminho só quando a fé passou a ser algo assumido, fruto da experiência pessoal de encontro com Cristo, fruto de convicção. Progredimos neste caminho quando partilhamos a fé e a celebramos em conjunto, a vivemos em comunidade, sobretudo na Eucaristia. Aí, a Palavra de Deus, único fundamento da nossa fé, faz-nos conhecer sempre mais a verdade sobre Jesus e sobre o sentido das nossas vidas: “Vós sois as testemunhas de todas estas coisas”.