DOMINGO V DA QUARESMA


A liturgia da Palavra deste quinto domingo da Quaresma, apresenta-nos a perspetiva da Aliança Nova gravada no coração do Homem, selada pelo sangue do Filho Unigénito no sofrimento e na obediência ao Amor Salvífico de Deus, revelada no mistério da Cruz que gera vida nova na ressurreição.
A vontade de Deus ao longo da História da Salvação e na particularidade do Povo Eleito, era que as alianças, renovadas em momentos chave, contribuíssem para que os compromissos fossem assumidos pelas duas partes, Deus e o Povo, mas é na falta de cumprimento por parte do Povo, que é anunciada uma aliança nova que será gravada na alma e no coração.
Por isso, o Mistério Pascal de Jesus Cristo, é a forma como é marcada no coração de cada homem que Lhe obedece, Aliança Nova, isto é, compromisso de salvação eterna. É o próprio Jesus, que à pretensão de alguns O querem ver, isto é, conhecer, que afirma que só o conhecerão aqueles que acolherem o mistério da Cruz.
A Cruz reveladora do Amor de Deus para com a Humanidade, geradora de vida nova e exemplo para quem queira seguir o Seu caminho, “Se o grão de trigo lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto.”
Assim, nesta caminhada quaresmal, os passos já dados levam a que com o olhar mais límpido possamos contemplar na Cruz Aquele que nos atrai ao Seu Amor e que imprime no nosso coração e na nossa alma a aliança nova que gera sentimentos de comunhão com aqueles que seguem os mesmos caminhos.
A primeira leitura do livro de Jeremias, aponta para um tempo novo em que Deus concretizará uma nova aliança com o Seu Povo e que esta será gravada na alma e no coração de cada um, com a dimensão universal “todos Me conhecerão”, e como resultado do perdão e da misericórdia do Senhor:” Porque vou perdoar os seus pecados e nã mais recordarei as suas faltas.”
É este tempo novo que é consequência da Aliança Nova que nasce do mistério pascal, onde a Paixão e a Cruz de Jesus, vivência da obediência no sofrimento, são caminho para a ressurreição que imprime no coração dos crentes a causa da Salvação Eterna.
Assim, o autor da Epistola aos Hebreus, apresenta-nos este cumprimento, por parte de Cristo, da vontade salvífica de Deus, que passando pelo sofrimento e pela cruz, marca o íntimo dos seus discípulos que são impelidos a seguir o Seu exemplo.
No Evangelho, São João, coloca Jesus em Jerusalém pela festa da Páscoa e é neste contexto que alguns gregos, que estão também na cidade, vão ter com o Apóstolo Filipe e lhe fazem este pedido: “Senhor, nós queríamos ver Jesus”. De certo que estes gregos já tinham ouvido falar de Jesus, dos seus ensinamentos e dos seus milagres, por isso queriam conhecê-Lo pessoalmente.
É neste contexto quaresmal, que o relato do evangelho, que nos fala de alguns que querem ver-conhecer Jesus, que é importante para nós, já que o caminho proposto por Jesus àqueles que o queriam ver é o caminho essencial para viver este tempo de conversão e renovação interior: “chegou a hora em que o filho do homem vai ser glorificado.” É deixando-nos envolver no mistério desta “hora” reveladora que conheceremos melhor Jesus: a Sua entrega à paixão e morte para alcançar a Salvação para todos, o caminho do Calvário levando a Cruz, as chagas da doação e da remissão, a ignominiosa morte por crucifixão entre malfeitores e o sangue derramado selando a nova e definitiva Aliança de Amor.
Jesus dá-se a conhecer na Paixão e Morte iluminadas pela luz da Ressurreição, respondendo assim a todos aqueles que O querem conhecer.
Assim compreendemos que em Cristo, a morte não é o fim último, porque n’Ele é sempre geradora de Vida Nova, sendo esta Vida Nova da Ressurreição a chave interpretativa do caminho do sofrimento redentor e salvífico. Sem Ressurreição, o sofrimento e a morte são estéreis, infecundos e sem sentido, por isso, a vivência quaresmal só tem sentido se a Ressurreição levar à prática a vida nova desejada.