DOMINGO III DO TEMPO COMUM


Neste terceiro domingo do tempo comum, também denominado DOMINGO DA PALAVRA DE DEUS, as leituras que nos são proclamadas na liturgia levam-nos a refletir sobre a Luz Verdadeira, “que vinda ao mundo ilumina todo o Homem”.
A imagem da luz que o Profeta Isaías apresenta para o povo da Galileia que viviam no exílio, é um pronuncio do seu regresso a casa e um motivo de alegria transbordante. É também, o anúncio dos tempos messiânicos em que a Luz Verdadeira é o próprio Messias que com a Sua presença e a Sua doutrina transforma a vida das pessoas de trevas em luz.
Assim a alegria e o contentamento aumentam porque Deus está no meio do Seus Povo e o ajuda a caminhar à luz do dia.
Por isso, o texto do Evangelho de São Mateus para este domingo, refere que o início da pregação de Jesus começa no território descrito na profecia de Isaías, ficando assim concretizada. Jesus saiu de Nazaré e foi habitar para Cafarnaum, em território descrito como Galileia dos gentios onde se vivia nas trevas. Esta presença de Jesus transforma a existência das trevas em caminhos de luz: “O Povo que vivia nas trevas viu uma grande Luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma Luz se levantou”. (Mt 4,15)
Assim, identificamos Jesus como a Luz Verdadeira e compreendemos o Seu desejo, que todos O reconheçam como Ele se identificou: “EU SOU A LUZ DO MUNDO”.
Ora Aquele que é, e nos traz a luz, diz-nos que percorrer os Seus caminhos, implica mudanças, e que por isso cada um de nós deve responder ao apelo à mudança: “Arrependei-vos, porque o Reino de Deus está próximo”. Só assim seremos participantes dos Caminhos da Luz, porque decidimos deixar-nos envolver pela luz de Cristo que destrói as trevas do erro.
No entanto, caminhar “à luz do Senhor” requer uma consciência de pertença a um grupo, a uma comunidade, isto é, à Igreja, para que os individualismos não destruam a Unidade. Por isso, realço o sentido do Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos que estamos a viver até ao dia 25 de janeiro. Rezar pela Unidade de todos os Cristãos é dar sentido ao desejo e à vontade de Jesus: “Que todos sejam um como nós somos um”, expressa na súplica ao Pai.
Que o lema que nos é proposto este ano tirado do livro de Isaías:” Aprendei a fazer o bem, procurai a justiça”, nos comprometa na nossa condição de Cristãos-Católicos, no caminho da reconciliação para a unidade com os nossos irmãos das outras Igrejas Cristãs.
Assim, São Paulo na segunda leitura, ajuda-nos a perceber, como o fez aos membros da comunidade cristã de Corinto, que Cristo é que é a Luz Verdadeira. Pois a tentação de alguns de nós, é que a nossa luz (criatividade, estilo, linguagem, etc) seja tida como a mais importante, a que ilumina, a que reluz, esquecendo-nos que não temos luz própria, mas somos refletores de luz.
Por isso, São Paulo perguntava: “Porventura Paulo foi crucificado por vós? Foi em nome de Paulo que recebestes o Batismo? Hoje continuamos a perguntar: com que intuito participo é que participo na Igreja, para brilhar? Ou para que a luz de Cristo brilhe em mim? Qual é a tua maneira de ver a participação na Liturgia ou no serviço da Caridade? É que a tentação de brilhar à maneira do mundo também está na Igreja: Para se mostrar, ser visto e ser elogiado e também fazer o bem a alguém, mas sempre registado na selfie.
Recordo aqui a figura de João Batista e a sua postura descrita por João no seu Evangelho: “Apareceu um homem, enviado por Deus, que se chamava João. Este vinha como testemunha, para dar testemunho da Luz e todos crerem por meio dele. Ele não era a Luz, mas vinha para dar testemunho da Luz”. (Jo 1, 6-8)
Seguir os Caminhos da Luz é termos a consciência que a Luz que nos ilumina não é a nossa, mas a do Senhor Jesus Cristo, para isso tudo o que façamos seja para que essa Luz brilhe e possamos levar outros a caminhar iluminados pela Luz Verdadeira.