DOMINGO IV DO TEMPO COMUM

 

Na Liturgia da Palavra deste quarto domingo do tempo comum, encontramos propostas que tornam felizes aqueles que as aceitam.
No início da formação do Povo eleito por Deus, para Seu Povo, Moisés subiu ao monte para receber as leis que haveriam de ajudar o Povo a ser Povo de Deus. Ao longo da história da salvação, o Povo escolhido, tinha como referência o Decálogo, os dez mandamentos da Lei de Deus que deram origem às leis e preceitos, para que cumprindo essas leis e mandamentos fizesse a vontade do Deus Verdadeiro.
Hoje no Evangelho, a semelhança do gesto de Jesus com o de Moisés é evidente, Jesus sobe ao monte e apresenta uma nova visão da lei que há-de ajudar a viver aqueles que aderirem ao Reino de Deus.
Assim as Bem-Aventuranças, são este ensinamento de Jesus como Mestre, que propõe caminhos novos, àqueles que, em todas as nações, querem pertencer ao novo Povo de Deus.
É nesta perspetiva que interpretamos a profecia de Sofonias em que a noção de humildade e simplicidade faz com que a confiança em Deus seja de tal maneira que mesmo com poucos, sendo “o resto de Israel”, Deus não deixará que sejam aniquilados. Por isso, a sua fidelidade a Deus vem da sua condição de “um povo pobre e humilde que buscará refúgio no nome do Senhor.” (Sof 3,12)
A conversão e a mudança de Vida levam a que o Povo, os pobres e humildes, tenham como recompensa o alimento que não faltará e a paz sem perturbação.
É também assim que São Paulo, incentiva os cristãos de Corinto para darem conta que foram escolhidos, não pela sua sabedoria humana, mas pela sua humildade, pois os critérios humanos fazem sobressair os sábios ou os bem-nascidos ao passo que os critérios de Deus realçam os que, não tendo valor aos olhos do mundo, têm o mais importante aos olhos de Deus.
É nesta perspetiva, que ir em Contracorrente, significa que valorizamos mais os critérios de Deus do que os da sociedade atual. Hoje em dia, o individualismo, faz com que muitos se guiem apenas por aquilo que é o louvor, a excelência ou a exaltação humana, até ao exagero de alcançar os fins sem olhar a meios ou se for preciso passar por cima de alguém para conseguir o que se quer.
Assim somos confrontados com a novidade do caminho e do agir que as Bem-Aventuranças nos apresentam. É um novo estilo de vida que Jesus propõe que é constitutivo da Felicidade.
No entanto, só para os que ousarem ir em Contracorrente, isto é, seguir outros critérios que não os que a maioria segue só porque sim, é que perceberão que aquilo que parece sem valor é que os tornam Bem-Aventurados.
Claro que não é fácil propor e depois seguir os critérios das Bem-Aventuranças, neste mundo e neste tempo, senão vejamos: oferecer como ideal de Felicidade e Santidade a pobreza, a humildade, as lágrimas, a fome e a sede de justiça, a misericórdia, a pureza de coração, a promoção da paz e a perseguição por amor da justiça parecem ser propostas demasiado difíceis de concretizar no agora da história.
Mas para entender o ensinamento de Jesus, nas Bem-Aventuranças, é preciso focar-nos naquilo que realmente importa, pois o que conta verdadeiramente é a configuração a Cristo e o modo como em cada circunstância da vida podemos estar em comunhão com Deus. São elas, as circunstâncias da vida, que nos fazem sentir indiscutivelmente a Necessidade de Deus.
Assim a aceitação das Bem-Aventuranças, requer uma atitude de desprendimento da nossa autossuficiência e do nosso individualismo, para que a Felicidade seja entendida como comunhão da nossa vida com a de Deus e da nossa vivência de relação com os nossos semelhantes que em Cristo são nossos irmãos.