O Papa Francisco, na mensagem que envia ao Povo de Deus sobre a próxima Quaresma,

faz este apelo: “Pedimos-vos, em nome de Cristo: deixai-vos reconciliar com Deus”.Ora, a reconciliação com Deus coincide com a reconcilia-ção de cada um consigo mesmo e com os outros, a caminho daquele ideal de comunhão que habita o coração de todos os seres humanos.Por isso, podemos dizer que a Quaresma é percurso de cada um de nós, com ajuda da comunidade, rumo à tomada de consciência de que Deus nos habita no mais fundo de nós mesmos e o que precisamos é de avivar essa consciência e fazer dela a grande força que transforma a nossa vida e a vida da própria sociedade.Ora, nesta caminhada, não temos pela frente só sucessos, mas também temos de contar com os insucessos, que derivam uns da nossa fragilidade e outros das decisões erradas que chamamos pecado.A relação com Deus quer tomar conta desses insucessos e transformá-los em oportunidade de salvação ou seja de reforço da nossa relação com Deus e com os irmãos.É este o sentido da verdadeira reconciliação que o Papa Francisco quer pôr em evidência na sua mensagem para a Quaresma deste ano.Para motivar e alimentar esta caminhada de renovação pessoal e comunitária, a Igreja, na sua sabedoria bimilenar, propõe uma pedagogia centrada na oração mais intensa, no jejum e na abstinência, a que se liga a esmola e no encontro mais frequente com a Palavra de Deus. Os tempos de silêncio e de alguma paragem, na rotina do dia-a-dia, fazem parte também dessa pedagogia.Por isso, vamos procurar, durante este tempo forte da Quaresma, deixar-nos orientar, de uma forma especial, pela Palavra de Deus proclamada em cada domingo. O ciclo A, que nos acompanha, este ano, propõe-nos passagens bíblicas especialmente significativas para a nossa caminhada de Fé. Assim, nos três domingos centrais da Quaresma vamos escutar passagens bíblicas que nos ajudam a refundar a Fé, como são as da água viva (3º domingo) da luz (4º domingo) e as da Ressurreição (V domingo)Conforme fomos muito ajudados, durante o ciclo do Advento/Natal, pelas dinâmicas que o Departamento Diocesano da Catequese nos preparou e apresentou, esperamos que tal venha a repetir-se neste tempo quaresmal.Por sua vez, momentos de pausa e algum silêncio fazem igualmente parte da pedagogia da Igreja para nos levar ao essencial da Fé e ao cerne do sentido da nossa existência. Daí que as propostas de retiros quaresmais, quer por arciprestados quer por iniciativa de grupos e movimentos apostólicos serão todas muito bem-vindas.Quanto às nossas fragilidades e pecados, o tempo forte da Quaresma é especialmente propício para os identificarmos e, com a graça de Deus, os podermos superar. E aqui o Sacramento da Reconciliação ou Confissão é instrumento que havemos de saber valorizar e aproveitar, de forma especial, neste tempo santo.A esmola e a partilha são também expressões muito importantes do nosso compromisso de renovação pta caminhada de Qalamada em cadatequese, apo forte da Quaresma, mais jma garnde oprotrunidade que Deus nos dponscalamada em cadna caminhada da Quaresma. E este ano, a renúncia quaresmal será orien-tada para os seminários, respon-dendo, por um lado, a pedidos que nos vêm de algumas dioceses africanas, que têm muitos seminaristas maiores e dificuldade em os sustentar, nomeadamente a de Sumbe, onde a Liga dos Servos de Jesus tem a Missão D. João de Oliveira Matos e, por outro, para ajudar a requalificação do nosso Seminário da Guarda para que possa cumprir os serviços de semi-nário que acolhe os nossos seminaristas e pré-seminaristas, casa sacerdotal, logística dos movimentos servi-ços e obras de apostolado diocesanos, casa de retiros e casa sacer-dotal.Que Maria santíssima nos ajude a viver, com renovada esperança, este tempo forte da Quaresma, uma grande oportunidade que Deus nos dá e nós desejamos aproveitar da melhor maneira.20.2.2020+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda