Visita às Filipinas


O Papa realizou uma viagem à Ásia, que se iniciou no Sri Lanka e terminou nas Filipinas, durante a qual deixou mensagens e gestos em favor dos mais pobres, da paz e do diálogo entre religiões.
Um dia depois de uma Missa ao ar livre com mais de seis milhões de pessoas, a maior celebração na história da Igreja Católica, o Papa Francisco regressou ao Vaticano, depois de percorrer um total de 17 mil quilómetros. Milhares de pessoas acompanharam o percurso do papamóvel nas ruas da capital filipina, entre a Nunciatura Apostólica e o aeroporto, onde decorreu a cerimónia de despedida, sem discursos oficiais mas com coreografias e cantos enquanto o pontífice se despedia das autoridades civis e religiosas.
Durante as homilias e discursos em Manila, o Papa questionou em várias ocasiões as “estruturas sociais que perpetuam a pobreza” e denunciou a “corrupção”. Mostrou-se preocupado com o que chamou de “colonização ideológica” da família, com “ataques insidiosos e programas contrários” ao matrimónio tradicional, à natalidade e ao direito à vida. A viagem ficou marcada pela deslocação à ilha filipina de Leyte, a região mais afectada em Novembro de 2013 pelo supertufão Haiyan.
A passagem pelo maior país católico da Ásia contou com várias surpresas do Papa, que fez uma paragem surpresa junto a uma casa de pescadores na cidade de Tacloban.
Na sexta-feira, o Papa tinha feito outra paragem não programada, num centro para crianças abandonadas, dirigido por uma fundação católica, onde passou 20 minutos com mais de 300 crianças. Os jovens estiveram no centro das atenções da manhã de domingo, num encontro que decorreu na única universidade pontifícia da Ásia.
A atenção pelos mais pobres foi levada ao palácio presidencial, no primeiro discurso em Manila, em que o Papa pediu o fim das “cadeias da injustiça e da opressão”.
O Papa chegou às Filipinas depois de ter encerrado uma viagem de 48 horas ao Sri Lanka, na qual lançou vários alertas contra o fundamentalismo e apelou ao diálogo inter-religioso em favor da paz, condenando o uso da fé para justificar a violência.
No antigo Ceilão, o Papa canonizou o padre José Vaz (1651-1711), nascido em Goa, então território português, e tornou-se o primeiro pontífice a visitar o norte do Sri Lanka, de maioria tâmil, simbolizando o processo de “reconciliação” após quase três décadas de guerra civil.