Dia Mundial da Paz – 1 de Janeiro de 2022

“Apesar dos múltiplos esforços visando um diálogo construtivo entre as nações, aumenta o ruído ensurdecedor de guerras e conflitos, ao mesmo tempo que ganham espaço doenças de proporções pandémicas, pioram os efeitos das alterações climáticas e da degradação ambiental, agrava-se o drama da fome e da sede”, escreve o Papa Francisco, na mensagem para o Dia Mundial da Paz 2022, dedicada ao tema ‘Diálogo entre gerações, educação e trabalho: instrumentos para construir uma paz duradoura’.No texto, o Papa Francisco aponta o dedo a um modelo económico “mais baseado no individualismo do que na partilha solidária”.Evocando a crise provocada pela Covid-19, agradece a quantos se empenharam e continuam a dedicar-se, “com generosidade e responsabilidade, para garantir a instrução, a segurança e tutela dos direitos, fornecer os cuidados médicos, facilitar o encontro entre familiares e doentes, garantir apoio económico às pessoas necessitadas ou desempregadas”.A mensagem fala num mundo ainda “fustigado” pela pandemia, que provocou várias polémicas, ao longo dos últimos meses.“Entre a indiferença egoísta e o protesto violento há uma opção sempre possível: o diálogo”, concretamente o “diálogo entre as gerações”, refere.“A crise sanitária actual fez crescer, em todos, o sentido da solidão e o isolar-se em si mesmos. Às solidões dos idosos veio juntar-se, nos jovens, o sentido de impotência e a falta duma noção compartilhada de futuro. Esta crise é sem dúvida aflitiva, mas nela é possível expressar-se também o melhor das pessoas”.O Papa defende uma aposta no “diálogo entre as gerações, a educação e o trabalho”, com “coragem e criatividade”.“São três elementos imprescindíveis para tornar possível a criação dum pacto social, sem o qual se revela inconsistente todo o projecto de paz”, aponta.O Papa Francisco destaca que a crise global mostrou a importância do “encontro e o diálogo entre as gerações”.“Os grandes desafios sociais e os processos de pacificação não podem prescindir do diálogo entre os guardiões da memória – os idosos – e aqueles que fazem avançar a história – os jovens”, assinala.A mensagem elogia o esforço das gerações “por um mundo mais justo e atento à tutela da criação”. E acrescenta: “Fazem-no num misto de inquietude e entusiasmo, mas sobretudo com sentido de responsabilidade perante a urgente mudança de rumo, que nos é imposta pelas dificuldades surgidas da actual crise ética e socio-ambiental”.Sublinhando o tema escolhido para a celebração de 2022, o Papa sustenta que qualquer percurso de paz “não pode prescindir da educação e do trabalho, lugares e contextos privilegiados do diálogo intergeracional”.O Dia Mundial da Paz foi instituído em 1968 pelo Papa Paulo VI e é celebrado no primeiro dia do novo ano.