DOMINGO III DA PÁSCOA


No terceiro Domingo da Páscoa a Liturgia da Palavra, continua a ter como marca fundamental o anúncio do Mistério Pascal e a manifestação do Ressuscitado aos discípulos. Iniciamos também em Igreja a Semana de Oração pela Vocações, com o Lema: “TROQUEMOS O INSTANTE PELO ETERNO”.
É no Mistério Pascal e na alegria da ressurreição que encontramos o fundamento das diversas Vocações na vida da Igreja: Chamados(as) para o encontro pessoal com O Ressuscitado, a quem procuram conhecer e amar cada vez melhor, para serem enviados(as) como Portadores(as) do Seu Evangelho.
Assim na primeira leitura encontramos o primeiro testemunho de Pedro, juntamente com os onze Apóstolos, depois de receberem o Espírito Santo, acerca de Jesus de Nazaré. A Sua vida e os sinais e prodígios realizados no meio do povo, mas mesmo assim levado à morte, cravado na cruz. Mas, diz Pedro, Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte.
É neste primeiro discurso de Pedro que é colocado o foco de toda a pregação que os Apóstolos haviam de fazer, o Mistério Pascal: Cristo sofreu, morreu, mas ressuscitou e está vivo.
Assim como Pedro, movido pelo Espírito Santo, fala de Jesus que esteve morto, mas agora vive, também os dois discípulos de Emaús, no caminho para casa, são instados a falar daquilo que lhes ia no coração sobre os acontecimentos que se referiam a Jesus de Nazaré.
É no caminho para casa, que estes dois discípulos, na sua atitude e na sua postura nos fazem também refletir sobre a atitude do Homem de hoje e mais ainda sobre aqueles que se assumem como membros da Igreja.
Os dois discípulos parecem derrotados, descrentes na verdade anunciada, e por isso apresentam-se tristes e desiludidos por não verem confirmadas as expectativas colocadas na pessoa de Jesus.
É nestes dois discípulos que podemos ver a imagem da vida de tantos homens e mulheres do nosso tempo: uma vida ou existência vazia de esperança, com o olhar e inteligência toldada para reconhecerem os sinais divinos e as palavras carregadas de eternidade que ainda hoje Deus semeia no mundo. Jesus caminha ao nosso lado e não é reconhecido; a Sua Palavra é proclamada e não é levada a sério e muito menos compreendida; e a atitude negacionista e de descrença no agir divino na História levam a que haja uma ignorância acerca do mistério cristão e da sua mensagem.
Assim, é no caminho que percorremos no nosso dia a dia que Jesus se põe a caminho connosco e nos interroga sobre o que se passa no nosso coração, as ânsias e inquietações, para depois nos elucidar e instruir com a Sua Palavra, que também nos leva a reconhecê-LO.
A Eucaristia é o sinal mais forte e profundo da vontade de Jesus em deixar-se reconhecer, é a presença mais significativa do Mistério Pascal que hoje continua a ser anunciado, mesmo que o olhar do Homem esteja mais virado para as luzes, efeitos ou marcas exteriores que apresentam a ilusão do passageiro como permanente.
A Eucaristia é também o meio para que o Ressuscitado nos faça reconhecer o “arder do coração” no avivar do Amor Misericordioso revelado nas Sagradas Escrituras descortinado nos caminhos da nossa vida.
Por isso Pedro, mais uma vez na segunda leitura recorda-nos “que não foi por coisas corruptíveis que fomos resgatados da vã maneira de viver, mas pelo sangue precioso de Cristo… que por Ele acreditamos que Deus O Ressuscitou dos mortos, para que a vossa fé e a vossa esperança estejam em Deus”. (1Pedro 1, 20-21)
Assim com a nossa fé e a nossa esperança em Deus, rezamos para que haja mais jovens e adultos atentos à voz de Deus que continua a chamar e as vocações na Igreja sejam fruto das famílias e das comunidades alicerçadas no Ressuscitado.