0. Preparo-meProcuro um lugar adequado e uma boa posição corporal. Respiro lenta e suavemente.Silencio os pensamentos. Tomo consciência da presença de Deus, invocando o Espírito Santo.


1. O que diz o texto- Leio pausadamente o Evangelho Mt 25, 31-46.- Sublinho e anoto o mais significativo.Nesta parábola, o Filho do homem é apresentado como juiz. Identificando-se com todos os necessitados, enumera as obras de misericórdia. A prática ou omissão destas “separa” os justos, “benditos do Pai” dos “malditos”.  2. O que me diz Deus- Imagino-me presente nesta parábola. Deixo-me interpelar. Que sinto?O texto precede os relatos da paixão, morte e ressurreição de Jesus. É profetizado o juízo final que recapitula todo o Evangelho. Cristo assume a plena identificação com cada desvalido e marginalizado. Também eu serei julgado segundo a resposta dada às carências dos meus irmãos. Assim percebo que não existe espiritualidade desenraizada das realidades físicas e humanas. Pelo contrário, estão entrelaçadas e complementam-se. O Reino de Deus só se comprova mediante gestos e atitudes de bondade. É no outro que encontro Deus. Em mim reina Cristo e o amor?
3. O que digo a Deus- Partindo do que senti, dirijo-me a Deus, orando (de preferência com palavras minhas).Senhor, julgas-me pelo amor. Não valorizas o meu pecado, mas o bem realizado aos irmãos, meus e teus, mais desvalidos. Diante de Ti, não valho pela condição social, talentos singulares ou êxitos conquistados. Sou o melhor de mim dado aos outros. É nisso que me farei reconhecer como teu discípulo.Meu maior pecado não é o que fiz mas o deixado por fazer: o amor omisso. Senhor, impede-me viver a religião como mero refúgio. O teu Evangelho meditado e celebrado seja incentivo a amar mais e melhor. O Teu caminho realiza-se da igreja para fora. É nos irmãos necessitados que Te escondes. Ajuda-me a reconhecer-Te em cada um deles. Desafia-me a não poupar nos gestos e tempos de atenção. É hoje que a minha salvação acontece. Peço-Te: não me distraia tanto no caminho quanto na oração.4. O que a Palavra faz em mim- Contemplo Deus, saboreando e agradecendo.Senhor, escolhes reinar pelo amor. Tua coroa é esta capacidade de amar que me habita. Teu trono é o irmão carenciado, próximo de mim. Louvo e agradeço tal proximidade, ainda que disfarçada. Nela te quero contemplar e adorar.Inspira-me o que esperas e mereces de mim. Apoiado em Ti, comprometo-me em algo oportuno e alcançável, crescendo na minha relação diária conTigo e com os outros.
Um pensamento - “No entardecer da vida seremos julgados pelo amor.” (São João da Cruz)
Provocações - A minha fé compromete-me na caridade?- Como reajo perante as necessidades alheias?- Minha compaixão resume-se a palavras ou concretiza-se em gestos?- O amor em mim é seletivo (descrimino pessoas e situações)?
Um desafio - Pedir ao Espírito Santo a graça de traduzir a minha fé em gestos de caridade.
Uma oração poemaDesprovido, no teu mundo, nasciE dele despido me despedi…Não Me busques, pois, entre pratasNem tampouco Me revistas de ouroSe tua carne tomei por minhaFrágil e corrompível.Meu tempo e palácio realSão tua indigência,Remida com vida e sangueNa cruz, em teu chão plantadaE ao céu apontada.Procura-Me, agoraEntre acamados e encarceradosEm cada mendigo de pão e amor.Neles te chamo, esperando…E, aí ajoelhado, orante e amanteSerás minha preciosa coroa.