D. João Marcos foi nomeado Coadjutor de Beja


D. João Marcos, nomeado Bispo Coadjutor de Beja, escreveu aos conterrâneos de Monteperobolso, concelho de Almeida. Em documento intitulado “Carta aos meus conterrâneos”, com data de 21 de Outubro, dirige-se aos naturais de Monteperobolso como “a minha família alargada”.
Explica que o Papa Francisco o escolheu para Bispo Coadjutor de Beja e que aceitou, “em obediência à vontade de Deus”.
De forma simples e próxima, D. João Marcos recorda que saiu “muito novo do Monte para estudar nos Seminários do Patriarcado de Lisboa em Santarém, em Almada e nos Olivais”. Reconhece que sempre conservou uma forte ligação à sua terra porque vê nela “os alicerces da minha vida”. E adianta: “A fé cristã e a estrutura básica da vida moral que recebi dos meus pais e do povo do Monte são a base do homem, do cristão e do pastor que hoje sou, por graça de Deus, e tenho por isso mesmo no coração, uma gratidão imensa para com todos”.
De forma muito pessoal e próxima confessa grande “amor à minha terra e às suas gentes”. A carta adianta: “Trago dentro de mim os horizontes longos da sua paisagem. Lembro-me com frequência dos seus ares lavados e dos barrocos, verdadeiras esculturas trabalhadas pela chuva e pelo vento ao longo de séculos, cujas formas, desde muito novo, espevitavam a minha imaginação. No Monte, tudo era para mim nítido e concreto, sem artifício. Sempre me encantou a verdade simples das coisas, que são elas mesmas por dentro e por fora, os rostos e as histórias de cada família e de cada pessoa com os seus dramas e alegrias, rostos de homens e mulheres que procuraram na França, na Alemanha, na Holanda, na Suíça, no Brasil ou no Canadá melhores condições de vida, mas que continuam a ser do Monte”.
Sem esquecer as raízes recorda “a experiência dura dos trabalhos no campo ao sol abrasador do Verão ou nos rigores do Inverno, cavar e lavrar, semear e ceifar, e também pastorear cabras e ovelhas ensinou-me coisas que não se aprendem nos livros e que me têm ajudado a ser próximo das pessoas e a ser pastor para elas”. Diz que aprendeu a ser responsável ao dar conta de que a vida das plantas e dos animais dependia do trabalho. E explica: “Desde pequeno aprendi que não há vida sem cultivo, sem cultura e sem culto”.
Amigo de fazer perguntas, D. João Marcos recorda que teve “um pai habilidoso e trabalhador que sabia responder e gostava de me ensinar”. De um jugo feito pelo pai, que ainda conserva, escolheu o lema para o seu ministério inspirado nas palavras de Jesus “o meu jugo é suave”.
“O padre do Monte” agora nomeado bispo coadjutor de Beja, lembra também na carta, o “povo da Mesquitela”, de onde era o pai, e Ade onde nasceu a mãe.
A ordenação episcopal está marcada para a Igreja dos Jerónimos em Lisboa, no dia 23 de Novembro, às 16.00 horas. A entrada na Diocese de Beja será no dia 30 de Novembro, às 17.00 horas, na Igreja de Santa Maria, onde presentemente funciona a Catedral.