Com a celebração da Solenidade de Cristo Rei, chegamos ao último Domingo do Ano Litúrgico. Auxiliados sobretudo pelo evangelista S. Mateus, esperámos

(no Advento) e celebrámos (no Natal) a vinda do Filho de Deus ao nosso mundo; imaginámo-nos a visitar, com Ele, as aldeias e cidades da Palestina enquanto (em cada Domingo do Tempo Comum), contemplávamos as suas acções libertadoras em favor dos doentes e pecadores e escutávamos os seus ensinamentos, porque Ele tem Palavras de vida eterna; estivemos presentes na sua Paixão e Morte (na Quaresma) e celebrámos a sua Ressurreição (Páscoa). Deste modo, a Igreja nos oferece a possibilidade de enxertarmos nos nossos passos quotidianos os passos da vida de Jesus, para que, por Ele, com Ele e n’Ele, possamos dar abundante fruto de boas obras.
O final do Ano Litúrgico remete-nos também, e sobretudo, para o final da história. Segundo a fé que professamos, no fim dos tempos o Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, “sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, há-de vir a julgar os vivos e os mortos”. No fim do ano litúrgico, celebramos Cristo como Rei para alimentarmos a esperança que no fim da história seremos julgados por um Rei justo e misericordioso, pelo Pastor Bom que dá a vida pelas suas ovelhas e as conduz a prados verdejantes.  
Na catequese, tradicionalmente, aprendemos a enumerar as obras de misericórdia, sublinhando que sete delas respondem a necessidades materiais e sete a necessidades espirituais. Hoje, Jesus apresenta como exemplo algumas delas. Além disso, identifica-se com todos os necessitados, dizendo que quando os ajudamos, é a Ele próprio que o fazemos. Por fim, mostra que no Juízo Final é sobre o amor e a misericórdia que seremos julgados. Só isso contará.
Numa época em que a tantas pessoas falta o essencial para uma vida digna; em que os nossos vizinhos parecem estrangeiros e os estrangeiros são os nossos vizinhos; numa sociedade hipócrita e egoísta onde os hospitais e as prisões estão cheios de solidão e abandono, existe apelo mais urgente que este de Jesus à misericórdia?
Das pessoas que Domingo após Domingo entram nas Igrejas para a Missa, quantas são voluntárias num hospital ou numa prisão? Quantas pertencem a grupos de caridade organizada? Ou, espontaneamente, visitam uma pessoa que está só? Jesus não nos pede coisas enormes e difíceis, apenas a caridade que está ao alcance de cada um. Talvez as nossas Igrejas estejam demasiado cheias… de gente vazia.
 Jesus diz que “irão para o suplício eterno” aqueles que na terra tornaram a vida dos outros um inferno e fecharam o coração e as mãos diante das necessidades do próximo. A mentira, o pecado, a injustiça e o egoísmo não compensam. Por fim, vencerão a verdade, a justiça e o amor, e serão recompensados com Deus os que tiverem praticado as obras de misericórdia: “Felizes os misericordiosos porque alcançarão misericórdia”.
É preciso que Jesus reine! Até que, como Rei, entregue o Reino a Deus seu Pai, para que Deus seja, finalmente, tudo em todos! No fim da vida seremos julgados pelo amor, pelas obras de misericórdia. A esses, Deus não dará propriamente uma recompensa. Deus será a própria recompensa.