GANHAR O IRMÃO


0. Preparo-meProcuro um lugar adequado e uma boa posição corporal. Respiro lenta e suavemente.Silencio os pensamentos. Tomo consciência da presença de Deus, invocando o Espírito Santo.
1. O que diz o texto- Leio pausadamente o Evangelho Mt 18, 15-20.- Sublinho o importante; anoto o mais significativo.Entramos no quarto grande discurso de Jesus, em Mateus. Este centra-se em orientações para a Igreja que se quer fiel a Cristo. Entre elas está a prática do perdão. Jesus desafia-nos à correção fraterna, esgotando todas as vias para resgatar um irmão.
2. O que me diz Deus- Imagino-me entre os discípulos. Como reajo às palavras de Jesus? O que sinto? Jesus insiste na importância da comunhão fraterna. Esta implica a todos. Por isso, também eu a devo preservar. Os erros e desavenças podem ocorrer, pondo em perigo a unidade na família, no grupo, na comunidade... Porém, maior do que toda a ofensa, o verdadeiro drama é perder o irmão. No meu percurso existencial, “perdi” alguém? Deixei que a mágoa e o ressentimento ocupassem o lugar de um irmão? Que posso fazer para recuperá-lo? Estou disposto a isso? Como diz um provérbio angolano, “se a erva cresceu entre a minha casa e a dos meus parentes, é sinal que o amor morreu”.3. O que digo a Deus- Partindo do que senti, dirijo-me a Deus, orando (de preferência com palavras minhas).Senhor, pedes-me que não desista do meu irmão, ainda que haja ofensa. Indicas-me como fazer, através de uma e outra maneira. Se nada resultar, dizes que posso encará-lo “como pagão ou publicano”. Mas quem o recorda é o evangelista Mateus, o publicano de quem não desististe. Está tudo dito! Terei eu a mesma persistência?Porém, o que acentuas é que ele é meu irmão. Daí a necessidade da correção fraterna. Mas quantas vezes a uso para apontar o erro alheio ou para me realçar. Posso ser irmão se pratico mais a murmuração que a correção cristã, o juízo que o perdão!?Para Ti, o importante não é mostrar ao outro o que fez mas sim revelar o que, por ele, sou capaz de fazer. Senhor, ajuda-me a nunca me resignar em perder um irmão. Como Tu, leva-me a jamais desistir da “ovelha perdida”, tal como o fazes comigo, repetidas vezes.4. O que a Palavra faz em mim- Contemplo Deus, saboreando e agradecendo.Senhor, em Ti redescubro o valor infinito de uma vida, a minha e a do meu irmão. Aprendo de Ti a não sepultar o amor, a curar mágoas. Porque não desistes de ninguém, louvo e agradeço. Adoro e contemplo.Inspira-me o que esperas e mereces de mim. Apoiado em Ti, comprometo-me em algo oportuno e alcançável, crescendo na minha relação diária conTigo e com os outros.
Um pensamento - “Quando saí em direção ao portão que me levaria à liberdade, sabia que, se não deixasse minha amargura e meu ódio para trás, permaneceria ainda na prisão.” (Nelson Mandela)
Provocações - Como reajo perante as ofensas?- Que penso e faço com aqueles que falham?- Sou instrumento de reconciliação no meu meio?- Procuro reconciliar-me com Deus e com os outros?
Um desafio - Pedir ao Espírito Santo a graça de não desistir de ninguém.
Uma oração poemaQuanto vales para mim, irmão?Do mesmo sangue nascidosOu pela fé unidos,Com ou sem passado compartidoSoluçado e gargalhado,Que futuro nos destinamosSe nosso presente azedamos Em razões que amordaçam o coração?
Que preço me disponho pagar?Se, por ti, um Deus se fez pastorCorrendo vales, galgando montesSó para te reencontrar sãoE, sobretudo, salvo…Negar-te-ei o abraço de uma palavraOu, do dissabor da distância, te livrareiSó para não te perder o sabor, irmão.