DOMINGO II DA QUARESMA


Neste segundo domingo da Quaresma, a liturgia da Palavra tem no episódio da Transfiguração, o ponto fulcral para que seja entendida a obediência de Abraão a Deus e certeza da nossa comunhão com Deus é refletida na união vencedora com Cristo sobre o mal.
A Transfiguração no monte Tabor, deve ser vista e refletida com base no episódio do anúncio de Jesus aos seus discípulos de que havia de “sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas e morrer, mas ressuscitar três dias depois” (Mc 8,31), já que este anúncio causou uma crise e incerteza em Pedro e nos seus companheiros.
Assim, Jesus leva consigo, Pedro, Tiago e João a um alto monte e aí transfigurou-se diante deles. Deste modo, Jesus manifesta a Sua Glória, para fortalecer a fé dos seus discípulos, é revelada a sua divindade pela voz do Pai “Este é o meu filho muito amado”, e as personagens de Moisés e Elias, dão aos discípulos os sinais de que Jesus, o filho de Deus, é o Profeta e o Messias anunciados pelas escrituras.
Na primeira leitura, tirada do Livro do Génesis, Deus pede a Abraão, o que ele tem de mais precioso, o seu filho Isaac, e Abraão não recusa em obediência ao Senhor. Este episódio só será bem compreendido à luz do mistério pascal de Jesus, já que o sacrifício único e irrepetível se dá com o filho de Deus.
Assim, é a prefiguração do Sacrifício de Cristo que acontece no relato que coloca Abraão com o seu filho Isaac a caminho, do monte Mória para o sacrifício, já que como diz São Paulo na segunda leitura,” Deus, não poupou o seu próprio filho, mas o entregou à morte por todos nós…”
É no Mistério Pascal de Jesus, “obedeceu até à morte…” e na obediência de Abraão, que encontramos os exemplos para a nossa caminhada quaresmal. Por isso, escutar a voz do Senhor que nos pede o melhor de nó, para que reconhecendo no que fez Abrão e o seu filho Jesus, não exitemos em obedecer à vontade de Deus, já que Ele nos dará sempre uma nova oportunidade, para nos emendarmos dos erros e pecados, para Lhe poder dar um coração humilde, simples e puro que vale mais que qualquer tesouro terreno.
Na segunda leitura, São Paulo, coloca diante de nós a pergunta: “Se Deus está por nós, quem estará contra nós?”, para que renovemos a certeza da presença da nossa vida d’Aquele que nos fortalece e protege em todas as circunstâncias da nossa vida. É esta confiança em Deus, que somos chamados a renovar em cada dia, mas neste tempo da Quaresma com um significado mais profundo: “confio em Jesus filho de Deus, que sofreu, morreu e ressuscitou” por nosso amor.
No evangelho, São Marcos, coloca-nos no caminho com Jesus, Pedro, Tiago e João, para um alto monte. A transfiguração descrita pelo evangelista coloca-nos no meio do acontecimento, a contemplar as Suas vestes de uma brancura inigualável com a brancura do lavar humano, a ver Moisés e Elias a conversar com Jesus e tapados pela sombra da nuvem ouviu-se a voz que disse: “Este é o meu filho muito amado: Escutai-O”.
Estar dentro do acontecimento é oportunidade para se viver de uma forma mais autêntica, mais empenhada, mais nossa, por isso o segredo que é pedido a Pedro, Tiago e João, que só dissessem o que viveram depois de Jesus ressuscitar dos mortos, leva-nos a entender o tempo da Quaresma como tempo de interiorização da revelação de Deus na vida dos homens e com tempo de trabalho interior para que os acontecimentos da nossa vida sejam amadurecidos para depois serem vistos à luz da Páscoa do Senhor.
Assim, este tempo da Quaresma seja aproveitado para que num trabalho pessoal, íntimo e consciente, cada um, viva este tempo da Quaresma de caráter penitencial como oportunidade para reconhecer erros e propor-se emendá-los, reconhecer fraquezas e propor-se mudá-las, reconhecer pecados e procurar a graça, reconhecer más opções e implorar misericórdia, para que a Quaresma seja autêntico caminho para a Alegria Pascal.